Promotoria denuncia mãe de autor confesso por triplo homicídio em Porto Alegre
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Promotoria denuncia mãe de autor confesso por triplo homicídio em Porto Alegre

Promotor entende que a denunciada, ao carregar arma e ao não impedir que o filho atirasse, teve omissão relevante causal e concorreu para a prática do crime

Por
Correio do Povo

Mulher estava presente no momento do crime e deu um primeiro tiro a esmo

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A mãe de Dionathá Bitencourt Vidaletti, autor confesso do triplo assassinato de uma família na zona Sul de Porto Alegre após uma discussão de trânsito, foi incluída pela Promotoria de Justiça com atuação junto à 1ª Vara do Júri da Capital no rol de acusados pelo crime. Neuza Regina Bitencourt Vidaletti foi denunciada pela morte de Rafael Zanete Silva, Fabiana da Silveira Innocente Silva e Gabriel Innocente Silva. No aditamento à denúncia já em trâmite, a compreensão é de que ela cometeu três homicídios triplamente qualificados, além dos crimes de omissão relevante causal, porte ilegal de arma e disparos de arma de fogo.

Conforme os registros, o motivo do crime foi fútil, já que foi cometido a partir de um pequeno choque lateral dos veículos, o que poderia ter sido resolvido sem a necessidade de agressões. O aditamento é assinado pelo promotor de Justiça Eugênio Amorim.

Ele entende que a denunciada concorreu para a prática do crime ao levar a arma de fogo ao momento da desavença, bem como ao atirar a esmo e ao não impedir que o seu filho pegasse a arma. Segundo texto, ainda houve perigo comum, já que os fatos se deram em local e horário de circulação de pessoas, próximo a estabelecimentos comerciais e a residências, o que poderia ter colocado em risco a vida de outros cidadãos.

A Promotoria também defende que o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas, que foram surpreendidas pela utilização de arma de fogo durante uma desavença verbal. Isso lhes reduziu as possibilidades de reação ou fuga.

O crime

Em 26 de janeiro deste ano, por volta das 15h, na Estrada do Varejão, Bairro Lami, as vítimas transitavam de carro, dirigido por Rafael, quando ele perdeu o controle e colidiu com o automóvel de Neuza, que estava estacionado. Logo em seguida, ela e o filho, Dionathá, iniciaram uma perseguição ao veículo onde estavam as vítimas, até que pararam próximo ao número 3009.

Todos desceram dos carros e, depois de rápida divergência, Neuza interveio armada de uma pistola e atirou a esmo, o que fez com que a Fabiana pegasse o telefone e tentasse chamar a polícia. Foi nesse instante que Dionathá retornou com a mesma pistola, atingindo fatalmente as vítimas. A denúncia, assinada pela promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari, foi apresentada, inicialmente, no último dia 30 e recebida pelo Judiciário no mesmo dia.

Depoimentos

Em depoimento à polícia, depois de se entregar em 28 de janeiro, Vidaletti confessou os assassinatos e disse que arma usada no crime pertencia a Rafael Silva – filho casal morto no crime. Ele alega que teria tirado a arma da mão dele e a jogado no asfalto após conflito com "chutes" e "coronhadas" e discussão. A versão foi refutada por sua própria mãe, quando ela deu testemunho às autoridades no dia dois de fevereiro.

Na saída da delegacia, Neuza falou brevemente com a imprensa, disse que o filho não tinha a intenção de matar e relatou que estava sendo agredida. "Foi uma fatalidade. Meu filho não é um monstro, a gente é de família, ele não é vagabundo", disse, chorando. "Fui muito agredida dentro do meu carro. O que ele fez foi para defender a minha vida, foi defesa. Ele jura que sentia que eu estava sendo esfaqueada", afirmou.