Polícia

Propina que teria causado a morte de Eliseu Santos envolveria também outro vereador

Empresa Reação teria sido obrigada a pagar churrascos e gasolina durante campanha de candidado do PTB

As denúncias de cobrança de propina feitas por Jorge Renato Mello, ex-proprietário da empresa de segurança Reação - que se entregou quinta-feira à Polícia depois de denunciado pelo Ministério Público pela morte do ex-secretário da Saúde, Eliseu Santos - envolvem outro ex-integrante do governo municipal.  Em 19 de maio do ano passado, durante depoimento em uma sessão extraordinária presidida pelo vereador petista Adeli Sell na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Mello afirmou que era feito pagamento mensal de R$ 10 mil entregues nas mãos do então assessor jurídico da Secretaria Municipal da Saúde, Marcos Antônio Bernardes – que se entregou nesta sexta-feira ao Ministério Público, já que também é acusado pela morte de Eliseu Santos.

Mas, conforme notícia publicada no site da Câmara de Vereadores, naquele dia, Mello disse que outras formas de favorecimento também teriam sido empregadas como abastecimentos de tanques de gasolina, promoção de festas em favor de um candidato do PTB e autorização para que veículos próprios da empresa fossem utilizados em campanha.

Neste trecho do depoimento de Mello transcrito pela assessoria de imprensa do Legislativo municipal, ele explica: “Fiz um churrasco onde foram distribuídos santinhos e adesivos do então candidato a vereador Maurício Dziedricki”, afirmou, ao negar qualquer contato com o próprio candidato. “Nunca tive relação com ele. As pessoas com quem eu tratava eram as que cobravam apoio a ele. Fomos pressionados e induzidos a ajudar na campanha para não estremecer a relação entre a Secretaria e a empresa”, sublinhou.

Mas, o colega de partido, vereador Alceu Brasinha, não acredita que o petebista tenha feito parte do esquema.

“No dia do depoimento, ele se confundiu, e disse depois que não teria pago festa ou gasolina para ninguém, eu não acredito que o vereador e secretário Maurício tenha recebido algo desse cidadão”, argumenta.

Brasinha refere-se à Maurício Dziedricki, que foi o vereador mais votado em 2008 e, depois, assumiu a Secretaria Municipal de Obras e Viação. Ontem, ele, que também é 2º vice-presidente do PTB, se desligou da administração municipal para concorrer à deputado federal. A reportagem tenta contato com o vereador, mas o celular está desligado.