Polícia

Quadrilha é suspeita de desviar R$ 30 milhões dos cofres públicos

Três pessoas foram presas pela PF no Rio Grande do Sul

Propinas iniciavam em R$ 20 mil e podiam chegar a R$ 100 mil
Propinas iniciavam em R$ 20 mil e podiam chegar a R$ 100 mil Foto : PF / Divulgação / CP
Um esquema de corrupção, que pode ter acarretado em mais de R$30 milhões de prejuízos aos cofres públicos de Florianópolis, foi desarticulado na manhã desta quarta-feira durante a operação Ave de Rapina da Polícia Federal (PF) de Santa Catarina. A fraude envolvia a Câmara de Vereadores de Florianópolis, o Instituto de Planejamento Urbano (IPUF), a Fundação Cultural Franklin Cascaes, em Florianópolis, e oito empresas de publicidade e fabricantes de controladores e lombadas eletrônicas. Entre elas, está a Kopp Tecnologia, de Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo, fabricante de controladores eletrônicos. As investigações iniciaram em novembro do ano passado.

Quatorze pessoas foram presas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre elas, está o vereador de Florianópolis Marcos Aurélio Espíndola (PSD), dois ex-diretores do Ipuf, o ex-chefe da Guarda Municipal de Florianópolis, dois funcionários do Instituto, um da Fundação e uma pessoa ligada ao diretor do Ipuf. Também foram presos cinco empresários – entre eles, o diretor-proprietário da Kopp, Eliseu Kopp. Ele foi detido em seu apartamento, no bairro Higienópolis, em Santa Cruz do Sul, e após prestar depoimento foi encaminhado para Presídio Regional de Santa Cruz do Sul. Em nota, o escritório de advocacia que atende a Kopp esclareceu que a empresa só vai se manifestar “nos autos dos processos, preservando o direito ao juízo e mantendo a discussão apenas no âmbito judicial”. Um funcionário de uma empresa envolvida no esquema e um desses empresários foram presos no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

O esquema funcionava em três núcleos distintos, mas que poderiam ter relação. Em um deles, a Polícia Federal conseguiu comprovar que empresas especializadas em radares e lombadas simulavam concorrência em licitações com o apoio de servidores, para garantir a elaboração de contratos com o poder público. Como “recompensa” pagavam mensalmente propina aos integrantes da organização criminosa. Os valores variavam de R$ 20 mil e podiam chegar a R$ 100 mil. “Foram travados vários contratos em valores vultosos, de R$10 milhões, R$5 milhões com o município”, observa o delegado da Polícia Federal, Alan dias, que conduziu as investigações. As propinas vinham de aditivos contratuais que, durante a investigação, foi demonstrado que “não havia viabilidade técnica nem necessidade da implementação de tais equipamentos (controladores eletrônicos).”

Durante as investigações foram apreendidos R$100 mil que eram transportados pelo ex-chefe da Guarda Municipal de Florianópolis na BR-290, em Eldorado do Sul. Na quinta-feira, R$ 35 mil foram recolhidos em Flores da Cunha. Para o delegado, a apreensão em dinheiro é uma comprovação do esquema. Além disso, a PF detectou a realização de depósitos e saques do dinheiro referente à propina, com a utilização da conta de laranjas.

O segundo núcleo teria, segundo as investigações, participação de empresários especializados em eventos festivos e culturais que fraudavam licitações, também com a participação ativa de servidores públicos, através do recebimento de informações privilegiadas relativas às empresas concorrentes e orientações de como proceder para fraudar o certame, com consequente desvio ou apropriação de recursos públicos.

Por último se apurou a existência de corrupção na elaboração de leis municipais em Florianópolis, com o propósito de beneficiar empresários, que pagavam altas quantias em dinheiro para ter seus interesses estampados nas normas municipais. Durante a operação foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão, de prisão e de condução coercitiva em Florianópolis e Joaçaba, em SC, e também em Porto Alegre, Vera Cruz, Santa Cruz do Sul e Flores da Cunha, no RS. Em torno de 200 policiais federais foram mobilizados. Documentos estão entre o material apreendido.