Uma quadrilha de estelionatários, que aplicava o conhecido e antigo "Golpe da Nota Preta", foi desarticulada, nesta quinta-feira, em uma operação da Delegacia de Polícia de Gramado, conduzida pelo delegado Gustavo Celiberto Barcellos. Quatro homens foram presos, mas há suspeita de que existam mais integrantes na quadrilha que vinha agindo em todo o Rio Grande do Sul. Na ação foram apreendidos mais de R$ 1 mil em dinheiro, documentos, giroflash, munição de calibre 38, produtos químicos usados na fraude e oito veículos de luxo, como BMW, Mitsubishi, Golf, Pajero, Passat e Fiat Strada. Apenas em Gramado, quatro vítimas, todos empresários, perderam cerca de R$ 400 mil. As investigações começaram há seis meses na Região das Hortênsias. No entanto, casos semelhantes já foram relatados, por exemplo, em Santa Cruz do Sul e Santa Maria.
Golpe
No "Golpe da Nota Preta", a vítima paga três vezes mais o valor que receberá em dinheiro oriundo de algum desvio. Para isso, os golpistas exibem supostas cédulas que teriam sido desviadas por servidores da Casa da Moeda, sendo duplicadas sua numeração. Elas são cobertas por um produto químico escuro, que teria sido usado para possibilitar a saída escondida da Casa da Moeda. Na frente da vítima em um local combinado, os estelionatários mergulham as mesmas notas em um solvente e, algum tempo depois, a película escura é removida, aparecendo o dinheiro. A vítima fica com até R$ 2 mil para gastar livremente.
Conforme o delegado Gustavo Celiberto Barcellos, a pessoa fica seduzida e encantada após constatar que o dinheiro é verdadeiro, fechando o negócio com a quadrilha. Um encontro é marcado então em um local ermo para a troca do dinheiro da vítima pelas supostas cédulas da Casa da Moeda. Na ocasião, a quadrilha simula uma abordagem policial, com falsos brigadianos fardados em um veículo com giroflash. "Detida", a vítima perde seu dinheiro e acaba sendo solta em seguida, enquanto os policiais militares de mentira e os golpistas "presos" desaparecem. A compra de veículos de luxo, observa, seria o destino do dinheiro roubado. "Eles colocam depois esses carros em revendas para fazer a lavagem do dinheiro", explica. Para o delegado, a ganância é que leva as pessoas a caírem no golpe, pois as elas sabem que estão fazendo algo "ético e moralmente" ilícito. Por causa disto, acredita Gustavo Celiberto Barcellos, a maioria das vítimas fica com vergonha e não denuncia. A operação da DP de Gramado contou com apoio das DPs de Canela e Três Coroas, mobilizando 20 agentes.
Quadrilha de estelionatários é desarticulada em Gramado
Foram apreendidos oito veículos de luxo na ação