A quadrilha desmantelada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em Nova Hartz, no Vale dos Sinos, nesta quinta-feira, se preparava para fazer um novo ataque, afirmou o delegado Joel Wagner. O grupo, apontado como responsável pela maioria dos ataques com explosivos a caixas eletrônicos e cofre do Estado, teve três integrantes presos durante uma ação deflagrada entre o final da noite de quarta-feira e a madrugada de hoje em um sítio na localidade de Canto Kirsch, na zona rural do município.
“Eles se preparavam para cometer mais um ataque provavelmente no Vale dos Sinos ou Vale do Paranhana”, avaliou o delegado. As investigações, avaliadas como complexas, duraram seis meses.
Na ação, os agentes apreenderam quatro fuzis de calibres 223 e 762; uma espingarda calibre 12; uma pistola calibre 380; um revólver calibre 38; mais de 800 cartuchos de munição; seis quilos de explosivos; quatro coletes balísticos; dez carregadores, 14 celulares; 13 toucas ninjas; três potes com dezenas de miguelitos; luvas, um radiocomunicador; um binóculo; uma lanterna; uma balança; três pares de cintas e catracas; uma calha para injetar o explosivo no terminal; dinheiro e cheques de terminais bancários. Houve ainda o recolhimento de três veículos.
Na operação, dois dos criminosos fugiram para um matagal, mas o potente farolete do helicóptero da Polícia Civil auxiliou nas buscas e localização dos mesmos. Um quarto bandido, já identificado, conseguiu escapar do cerco montado por 30 agentes do Deic. “Não houve confronto. Foi uma ação cirúrgica e precisa”, lembrou o delegado, acrescentando que o sítio é de um dos presos. Joel Wagner não descartou que a quadrilha tivesse outras bases, como na Serra.
O delegado Joel Wagner confirmou que o mais recente ataque com explosivos, ocorrido na Cooperativa de Produção Agropecuária de Nova Santa Rita na segunda-feira passada, foi cometido pela quadrilha. Os cheques apreendidos na ação são da entidade.
Os agentes já apuraram que o Cruze, de cor branco, usado nos ataques da quadrilha de João das Couves, é o mesmo carro abandonado após o roubo em 22 de abril de uma joalheria em Nova Hartz. Na quarta-feira, em Sapucaia do Sul, foram presos dois envolvidos no assalto. Um deles é o assaltante de bancos e sequestrador Dico, de 50 anos, que no passado matou dois policiais rodoviários federais em Santa Catarina. Ele estava no regime semiaberto no Instituto Penal de Gravataí e planejava uma ação criminosa nos próximos dias em uma grande empresa de Caxias do Sul.
Com vasta ficha de antecedentes criminais, João das Couves foi preso pela Polícia Federal (PF) em abril de 2006, em São Leopoldo, quando comandava ataques com explosivos a bancos e pedágios na época. Ele esteve envolvido também com a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), sendo que a PF prendeu 28 integrantes da organização criminosa quando escavam um túnel em setembro de 2006 até a Caixa Econômica Federal e Banrisul, no Centro de Porto Alegre.
A prisão dele em abril ajudou nas investigações dos policiais federais sobre o plano do PCC. Em abril de 2011, o criminoso foi enviado à Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. João das Couves também já atuou em ataques a carros-fortes. Desde outubro do ano passado, João das Couves cumpria pena no regime semiaberto também no Instituto Penal de Gravataí.
Quadrilha desmantelada em Nova Hartz se preparava para novo ataque
Grupo é apontado como responsável por principais roubos a caixas eletrônibos e cofres do Estado