A quadrilha desmantelada nesta terça-feira na Operação Bem-Casado, em Porto Alegre, organizava o comércio de drogas por setores. Ela era chefiada pelo criminoso conhecido como Doce, mas outros dois cúmplices exerciam a liderança. Todos foram presos em ação da Polícia Civil. Conforme a hierarquia interna do grupo, Doce ficava responsável pela maconha e os demais se dividiam para cuidar da cocaína e do crack.
Abaixo deles estavam dois gerentes das bocas-de-fumo, igualmente detidos, que arregimentavam os vendedores de drogas para atuarem ao longo da rua Herval e arredores. Alguns pontos funcionavam 24 horas. Duas mulheres, também presas na operação, eram responsáveis pela embalagem e pelo preparo dos entorpecentes.
Segundo delegado da 23ª Delegacia de Polícia, Fernando Soares, a quadrilha não tinha um único fornecedor de drogas. “Na madrugada de ontem, eles buscaram meio quilo de maconha, no valor de R$ 4 mil, em São Leopoldo”, observou, citando ainda como exemplo a obtenção de drogas no bairro Santa Rosa, em Porto Alegre, e nas cidades de Alvorada e Viamão.
Para Soares, a organização começou tímida e se expandia em ritmo crescente. “Eles estavam se criando na região e se articulando, se organizando em um grupo muito forte. Há cerca de seis meses começaram a ficar violentos”, afirmou. Ele desconfia do envolvimento dos traficantes com assassinatos. A primeira suspeita recai sobre o aparecimento recente do corpo de uma vítima de homicídio dentro de uma caixa d’água na região.
Fernando Soares observou que a própria comunidade, intimidada pela ação mais violenta dos traficantes, repassou várias denúncias à Polícia Civil ao longo das investigações. “A própria comunidade pediu socorro”, avaliou o delegado.
Quadrilha desmantelada na Capital organizava venda de drogas por setores
Comunidade contribuiu com informações para a prisão de traficantes