O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil desmantelou nesta quarta-feira uma organização criminosa, especializada na distribuição de drogas sintéticas, que estava enraizada em cinco estados. Segundo informações do titular da 2ª Delegacia do Denarc, delegado Thiago Lacerda, o grupo faturava R$ 500 mil por mês.
A ofensiva, chamada de Reflexo, terminou com a prisão de 33 traficantes, sendo que 23 foram detidos no Rio Grande do Sul. Os seis líderes do grupo estão entre os detidos. Armamento, munição, veículos de luxo, documentos falsos, celulares e dinheiro foram apreendidos. Em solo gaúcho, cerca de 400 policiais civis cumpriram mandados em Alvorada, Capão da Canoa, Osório, Porto Alegre, Terra de Areia, Tramandaí, Viamão e Xangri-lá. No estado de Santa Catarina, as cidades de Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e Navegantes, além de Guarujá, em São Paulo; Goiânia, em Goiás; e Dourados, no Mato Grosso do Sul.
Centro de distribuição em Santa Catarina
O trabalho investigativo durou dez meses. Conforme Lacerda, a organização criminosa, dividida em células, tinha a principal base e centro distribuidor em Balneário Camboriú, onde chegavam as drogas sintéticas, como ecstasy, LSD, Special K e MDMA, vindas por via aérea principalmente de Lisboa, em Portugal, e de Barcelona, na Espanha. No entanto, uma segunda base foi montada em Porto Alegre, onde igualmente chegavam os entorpecentes.
Parte deles seguiam depois para Santa Catarina. As drogas podiam ser vendida tanto em festas raves de música eletrônica como em círculos sociais, com cada dose custando ate R$ 100, sendo intensificada em períodos festivos como fim de ano e no veraneio. A clientela sempre era constituída de classe média e alta com poder aquisitivo. Traficantes menores também estavam na lista de clientes.
Presos com alto padrão de vida
No Rio Grande do Sul, a distribuição concentrava-se em especial no Litoral Norte, sendo que Capão da Canoa deu origem às investigações. A quadrilha possuía ramificações em São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. Havia ainda a comercialização de cocaína, oriunda da Bolívia, e maconha, proveniente do Paraguai. De acordo com os agentes do Denarc, os investigados em Santa Catarina cultivavam a maconha, com alto teor do princípio ativo, conhecida como skank, cujas sementes vinham do Uruguai.
Os líderes mantinham um alto padrão de vida e escondiam a real atividade criminosa, aparentando uma vida comum. A maioria deles, assinalou, não tinha antecedentes criminais. O delegado Thiago Lacerda já antecipou que o próximo passo será o sequestro judicial dos bens, como lanchas, imóveis e veículos de luxo, entre outros patrimônios. Os policiais civis do Denarc acreditam que a quadrilha atuava há vários anos.
O diretor de investigações do Denarc, delegado Mario Souza destacou que se trata de “um trabalho investigativo de fôlego que atingiu o topo da organização criminosa e desarticulou o esquema que abastecia boa parte do estado do Rio Grande do Sul”.
Quadrilha faturava R$ 500 mil por mês com venda de drogas sintéticas, diz delegado
Grupo traficava e distribuía entorpecentes para cinco estados