A terceira fase da operação Laranja Mecânica, deflagrada nesta segunda-feira pelo Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico (Denarc), prendeu um dos homens de confiança de Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, morto no começo deste ano. A ofensiva, centralizada na desarticulação do poderio econômico da quadrilha que era liderada por Xandi, descobriu que o grupo movimentou nos últimos três anos cerca de R$ 20 milhões e que conta com um patrimônio de R$ 6 milhões.
Na operação de hoje, um homem, identificado apenas como Lipe, foi preso pelos policiais civis. Além de ser um dos homens de confiança de Xandi, o suspeito era encarregado das finanças do grupo e realizava a lavagem do dinheiro, sobretudo na arrecadação do faturamento da frota de 12 táxis em Porto Alegre.
Cerca de 30 policiais, sob comando do delegado Marcio Moreno, integrante da Divisão de Inteligência do Denarc, cumpriram quatro mandados de busca e apreensão e outros quatro mandados de prisão, além de um sequestro judicial de um imóvel. Um Fiat Uno e um Corsa, além de celulares, foram recolhidos na ação realizada nos bairros Alto Petrópolis e Restinga, em Porto Alegre, e Rio Branco, em Canoas. O titular da Divisão de Inteligência do Denarc contabilizou que 18 integrantes da quadrilha já foram presos nas três fases da operação Laranja. Existem ainda sete foragidos.
Patrimônio inclui apartamento de R$ 1 milhão
Os policiais civis estiveram ainda na Estrada Serraria Velha, em Santo Antonio da Patrulha, onde ficava o luxuoso sítio de lazer de Xandi, com piscina, agora sequestrado pela Justiça. A propriedade está avaliada em cerca de R$ 500 mil, Já o mobiliário dentro da residência custou mais de R$ 70 mil. As investigações da operação Laranja Mecânica, cuja primeira fase ocorreu em outubro, foi considerada a maior no combate à lavagem de dinheiro oriundo do narcotráfico no Rio Grande do Sul. “Surpreendeu o poder econômico dela”, admitiu o delegado Moreno. No patrimônio da quadrilha consta, por exemplo, um apartamento em Florianópolis, Snata Catarina, no valor de R$ 1 milhão.
O diretor do Denarc, delegado Emerson Wendt, destacou que o principal objetivo é “descapitalizar a organização criminosa”, cortando as fontes de transmissão de capital ilícito da organização criminosa e dissolvendo por completo a contabilidade do grupo criminoso.
Parceria com outra facção
Segundo o delegado Marcio Moreno, o traficante Xandi comandava o tráfico de drogas no condomínio Princesa Isabel, conhecido como Carandiru, e na vila Planetário, além do bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Bocas de fumo estavam presentes também na Região Metropolitana. A quadrilha tinha parceria com a facção Os Manos. O assassinato do criminoso, em janeiro em Tramandaí, pode ter sido resultado de conflitos internos. Após sua morte, a organização foi conduzida por sua viúva e o braço-direito chamado de Gambini, antigo assaltante de bancos e dirigente da facção Os Manos, ambos presos no início deste mês pelos agentes do Denarc.
Polícia Civil realiza operação
Quadrilha liderada por Xandi movimentou R$ 20 milhões, diz polícia
Patrimônio do grupo ultrapassa R$ 6 milhões e inclui apartamento em Santa Catarina