Polícia

Quadrilha que tentou assaltar carro-forte pode ser a mesma dos explosivos

Plano foi abortado ontem, em Triunfo, depois de um telefonema anônimo à PRF

Agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) realizam investigações na tentativa de identificar e prender os integrantes da quadrilha que tentou assaltar um carro-forte, às 19h30min de sábado, no quilômetro 400 da BR 386, em Triunfo. Existem suspeitas de que o grupo possa estar envolvido em outras duas ocorrências, registradas neste mês, nas quais houve emprego de explosivos.

Recentemente, em 10 de fevereiro, pelo menos três homens tentaram explodir o prédio do Supermercado Unidão, em Igrejinha, no Vale do Paranhana, para ter acesso a dois caixas eletrônicos. Os criminosos, porém, exageraram na quantidade de explosivos, danificaram a fachada do estabelecimento e fugiram sem nada levar. Já no dia 17, pelo menos cinco homens explodiram parte do prédio da agência do Banco do Brasil, em Sertão Santana, na região Centro-Sul, e roubaram quantia não revelada em dinheiro.

O ex-PM Wanderley Grehs, o Magrão, é apontado pelo titular da Delegacia de Roubos, delegado Juliano Ferreira, com líder da quadrilha que tentou assaltar o carro-forte na noite de ontem, na BR 386, em triunfo. De acordo com Ferreira, Magrão era integrante das quadrilhas dos assaltantes de bancos e carros-fortes José Carlos dos Santos, o Seco, e Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, ambos recolhidos na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC) e tem por hábito agir na região. O criminoso foi soldado da Brigada Militar, tendo servido por sete anos, a partir de 1981, em Santa Cruz do Sul, até ser expulso da corporação devido às acusações de que estaria envolvido em tráfico, sequestro e arrombamentos.

Em 1993, Magrão foi condenado a 18 anos de prisão por tentativa de homicídio, ameaça, roubo, agressão e formação de quadrilha. Há dois ano, ele escapou do regime semiaberto, no Instituto Penal de Mariante. Além dele, há outros assaltantes em liberdade e foragidos, inclusive ex-integrantes das quadrilhas de Seco e Papagaio. Entre eles estão Daniel Borges Martins, o Borjão, Fernando Camargo Teixeira, o Tabaco, e Paulo Cesar Prado Freitas, o Paulinho Facão, também ex-PMs.

Em 15 de fevereiro, uma ação do 1º Batalhão de Operações Especiais, da Capital, na cidade de Osório, resultou na prisão de Antônio Carlos Bisonhin Gonçalves, o Tonho, um dos mais perigosos assaltantes do Rio Grande do Sul e integrante da quadrilha dos ex-PMs. O bando é agressivo e, em suas investidas, costuma usar táticas de guerra e aterrorizar as vítimas. O bando dos ex-PMs é apontado como responsável de fazer dezenas de reféns em ataques simultâneos de duas agências bancárias em Triunfo e em Farroupilha, no segundo semestre de 2008.

A prisão de Tonho representou o segundo desfalque da quadrilha em 2010. Em janeiro, PMs prenderam em Canoas Carlos Ivan Fischer, o Teco, 43, apontado como "o número 1" do crime organizado no Estado. Os ex-PMs são temidos pelos transportadores de valores. Na ação de ontem, quatro criminosos fortemente armados tentaram interceptar um carro-forte no quilômetro 400 da BR 386. A quadrilha chegou a atravessar o "cavalinho" de uma carreta Scania na rodovia. O plano do bando foi abortado por um telefonema anônimo à Polícia Rodoviária Federal (PRF), onde o interlocutor sinalizava a suspeita de que algum delito seria praticado. O homem relatava ter avistado o "cavalinho" estacionado em uma estrada vicinal, próximo à BR 386, e um homem usando colete à prova de balas no lado de fora.

Uma viatura da PRF foi deslocada na direção do ponto indicado via telefone. Ao chegarem na estrada vicinal, os policiais rodoviários federais avistaram o veículo, ocasião em que o condutor tentou empreender fuga e acabou atravessando o "cavalinho" na BR 386. Na sequência, surgiu um carro-forte na mesma rodovia, sendo perseguido por um Astra vermelho, onde estavam três homens armados com fuzis e metralhadoras. Assim que o Astra parou, o motorista do caminhão entrou no carro. Mesmo após receberem voz de prisão, os criminosos começaram a desferir tiros na direção da viatura da PRF. Depois de intensa troca de tiros, a quadrilha fugiu em direção ao município de General Câmara. De acordo com a PRF, não houve presos e ninguém ficou ferido.