Polícia

Quadrilha tatuava lágrimas para marcar assassinatos no RS

Operação em Porto Alegre e Eldorado do Sul prendeu 17 pessoas

Cerca de 250 policiais civis e 100 policiais militares, em 95 viaturas, cumpriram 100 mandados de busca e apreensão e outros 15 mandados de prisão temporária
Cerca de 250 policiais civis e 100 policiais militares, em 95 viaturas, cumpriram 100 mandados de busca e apreensão e outros 15 mandados de prisão temporária Foto : Vinícius Roratto
Uma lágrima tatuada para cada homicídio. Desse modo, os integrantes da quadrilha “Os Esquinas”, desmantelada nesta terça-feira na operação Território da Paz deflagrada em Porto Alegre e Eldorado do Sul, na região Metropolitana, costumavam indicar em seus rostos o número de assassinatos cometidos contra os rivais.

Para o delegado Rafael Pereira, as tatuagens tinham o efeito de intimidar seus desafetos e comunidade em geral, mostrando o quanto eles eram violentos. Alguns possuíam até três lágrimas tatuadas, o que conferia uma superioridade sobre os demais na hierarquia interna do grupo criminoso.

A ação conjunta da Polícia Civil e da Brigada Militar (BM) resultou em 17 prisões na vila Castelo, no bairro Restinga, na Capital, e na vila Progresso, no bairro Sans Souci, em Eldorado do Sul. Houve a apreensão de uma espingarda, uma garrucha, munição e drogas. Cerca de 250 policiais civis e 100 policiais militares, em 95 viaturas, cumpriram 100 mandados de busca e apreensão e outros 15 mandados de prisão temporária. As investigações duraram em torno de quatro meses.

Segundo o delegado Alencar Carraro, da Delegacia de Polícia (DP) de Eldorado do Sul, a base da quadrilha, formada por jovens e menores de idade, ficava na vila Castelo, na Restinga. Ele contou que o bando decidiu assumir as bocas de fumo na vila Progresso, em Eldorado do Sul.

Assim, na tarde de 24 de abril passado, o traficante local foi executado em via pública com vários tiros. Os autores do crime se apossaram do Golf e da residência do criminoso, além de expulsar seus familiares. Outros moradores também tiveram que se mudar.

Duas semanas depois, já na Restinga, cinco integrantes da quadrilha foram presos em flagrante pelo 21º Batalhão de Polícia Militar (BPM) com o carro do traficante morto e portando duas espingardas e um revólver. A partir deste momento, o trabalho investigativo iniciado em Eldorado do Sul pelo delegado Rafael Pereira se voltou para a Capital, onde teve apoio da 16ª DP, comandada pela delegada Shana Luft Hartz, e do 21º BPM, através do major Egon Kvietinski. As investigações prosseguiram então com delegado Alencar Carraro que assumiu a DP de Eldorado do Sul. A operação Território da Paz começava a ser montada, inclusive com o emprego de alta tecnologia.

Alta tecnologia

A alta tecnologia marcou a operação Território da Paz. Na vila Castelo, no bairro Restinga, em Porto Alegre, o levantamento prévio das ruas e casas, sobretudos os alvos da ação, foi realizado pela Unidade Área de Segurança (UAS) formada por dois mini helicópteros conhecidos como drones. As pequenas aeronaves não tripuladas, comandadas à distância, podem voar até 250 metros de altura. Ambas possuem câmeras digitais de alta resolução, sendo possível fotografar ou filmar, inclusive em tempo real.

Os drones voltaram a sobrevoar a região na manhã de terça durante o cumprimento dos mandados judiciais. Em apoio foi montada uma Unidade Portátil de Segurança (UPS), dotada de câmeras com longo alcance, transmitido as imagens para um centro de gerenciamento operacional. Todo o aparato tecnológico foi cedido para demonstração pela empresa Protecães, de Porto Alegre, que desenvolve esses equipamentos.


As pequenas aeronaves não tripuladas, comandadas à distância, podem voar até 250 metros de altura | Crédito: Vinícius Roratto


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