A operação Capote, que desarticulou uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, terminou com a prisão de três pessoas nesta terça-feira. Conforme o Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico (Denarc), os entorpecentes eram transferidos entre fazendas em solo gaúcho antes de chegar ao destino final. A estratégia servia para driblar a fiscalização policial nas rodovias do Rio Grande do Sul.
O diretor de investigações do Denarc, delegado Mário Souza, explicou que a passagem do carregamento por dentro das propriedades rurais ocorria mediante pagamento para alguém que liberava a entrada. “Não sabemos ainda se eram os donos. Isso será verificado. Está comprovado: os traficantes mencionaram que passavam pelas fazendas. Existiam valores de frete. Para passar através de uma fazenda estava em média R$ 2 mil, não interessando o tamanho da carga”, observou, acrescentando que ocorreram casos de pagamento de até R$ 5 mil de pedágio.
Os delegados do Denarc relataram que a organização criminosa teria montado um consórcio com traficantes do Paraná. Ligado à facção Os Manos, o grupo é responsável por abastecer comerciantes menores em várias regiões do Estado. Mais de meia tonelada de maconha chegava ao território gaúcho oriunda do Paraguai. A movimentação financeira do esquema ficava em torno de R$ 1 milhão.
Drogas por carros
Durante a operação Capote, em torno de 150 policiais civis cumpriram 30 ordens judiciais em Esteio; Sapucaia do Sul; São Leopoldo; Novo Hamburgo; Estância Velha; Campo Bom; Taquara; Gravataí; Charqueadas; Cachoeira do Sul; Três Passos; e Jaguarão. Houve o recolhimento de cerca de R$ 10 mil em dinheiro; três quilos de maconha de boa qualidade; um revólver calibre 38 niquelado; sete celulares; e duas balanças digitais de precisão.
As investigações apontaram que em Foz do Iguaçu, na fronteira com Ciudad del Este, veículos roubados no Rio Grande do Sul eram trocados por drogas. Durante o trabalho investigativo, que durou sete meses, mais de 150 quilos de maconha haviam sido apreendidos em outubro passado.
“A base do grupo ficava no Vale dos Sinos. Eles não passavam drogas diretamente aos usurários mas para outros traficantes de menor importância”, afirmou o delegado Guilherme Calderipe. “O esquema organizado é muito complexo. Há um investimento de dinheiro. Temos vários indícios de depósitos bancários e comprovantes em várias contas. Tudo isso será repassado à delegacia de lavagem de dinheiro”, destacou.
Quadrilha transferia drogas entre fazendas para evitar fiscalização, diz Polícia
Grupo montou consórcio de traficantes e transportava entorpecentes para países vizinhos