Polícia

Quase 20 pessoas são presas em três dias de ação contra homicídios na zona Norte de Porto Alegre

Ofensiva conjunta entre Brigada Militar e Polícia Civil tem como alvo duas facções que disputam pontos de tráfico no bairro Rubem Berta

Operação Saturação de Área combate homicídios na zona Norte da Capital
Operação Saturação de Área combate homicídios na zona Norte da Capital Foto : Marcel Horowitz / Especial CP

A Brigada Militar divulgou nesta segunda-feira o resultado dos primeiros três dias da Operação Saturação de Área, como é chamada a ofensiva em conjunto com a Polícia Civil que visa combater homicídios na zona Norte de Porto Alegre. Entre 24 e 27 de julho, foram presas 19 pessoas na região.

Também no período, houve abordagens de 515 pessoas e 288 veículos. Além disso, em oito barreiras de trânsito, as apreensões somaram narcóticos e uma arma. Em um dos casos, dois homens foram presos com um automóvel roubado minutos antes no bairro Vila Jardim. O carro foi recuperado e devolvido ao proprietário.

A ação une efetivos do 20º BPM, 1º Batalhão de Choque (BPChq) e Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Como base de atuação, o protocolo das sete medidas contra homicídios, que é fundamentado na teoria da dissuasão focada.

O subcomandante do 20º BPM, major Luiz Mário Kristosch dos Santos, destaca que a zona Norte da Capital passou mais da metade do mês de julho sem registrar assassinatos. Ainda conforme o oficial, a ofensiva não tem prazo de término.

"Registramos uma produtividade alta no último final de semana, sem crimes violentos. Essa operação é nossa resposta para a comunidade, um trabalho integrado entre BM e Polícia Civil, com objetivo de proporcionar mais segurança à população. Os trabalhos vão continuar pelo tempo que julgarmos necessário”, destacou o subcomandante do 20º BPM.

Quatro mortes no bairro Rubem Berta

A Operação Saturação de Área é uma resposta a quatro assassinatos, todos registrados no último dia 22 de julho, no bairro Rubem Berta. O primeiro destes ocorreu na região do Parque dos Maias, no turno da tarde, quando Yan Mazarem Teixeira, 29 anos, foi morto com cinco disparos nas pernas e costas.

Na mesma data, no fim da noite, um ataque a tiros resultou na morte de mais três homens, na rua Adelino Ferreira Jardim, próximo à esquina com a avenida Martim Félix Berta, na localidade da Cohab. Dois deles foram identificados como Nicolas Fagundes, 21 anos, e Cláudio Ribeiro da Silva, 53 anos. Até o momento desta publicação, nenhum familiar ou amigo da terceira vítima havia se apresentado no Departamento Médico-Legal (DML) para identificar o corpo.

A Polícia Civil acredita que os atentados tenham relação com disputas entre dois grupos criminosos por pontos de tráfico na Vila São Luiz, também no bairro Rubem Berta. Ali, na madrugada que antecedeu as mortes, a residência onde morava a esposa de um traficante foi incendiada por rivais.

Teoria da dissuasão focada

O protocolo contra homicídios tem como base a teoria da dissuasão focada, que visa reduzir crimes contra a vida por meio da repressão seletiva de pessoas, no caso, as responsáveis por ordenar assassinatos.

A ideia é influenciar os mandantes para que não provoquem mortes, combinando a aplicação da lei com outras medidas, como a asfixia financeira de facções e a transferência de presos.
O criador da técnica foi o criminologista norte-americano David Kennedy. Professor da Universidade de Nova York, ele foi o responsável por aplicar a teoria nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990.

Outro case de sucesso é a Colômbia. No ano passado, após a prática da dissuasão focada, Medellín alcançou o menor nível de violência em 40 anos.

No solo gaúcho, o Departamento de Homicídios, Brigada Militar e Polícia Penal são pioneiros na aplicação do método. Ao final do primeiro semestre de 2023, a tática gerou uma redução de 54,4% dos assassinatos em Porto Alegre.

A cifra foi o menor número do indicador para qualquer mês computado desde 2010, quando teve início a série histórica, o que posicionou a Capital abaixo do índice considerado epidêmico pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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