Foram presos 29 homens ao longo de 24 horas, entre terça-feira e esta quarta, em ofensiva da Polícia Civil contra violência doméstica e feminicídios no Rio Grande do Sul. Os esforços somaram 109 viaturas e 363 agentes que, além de mandados de prisão, também cumpriram 43 ordens de busca e apreensão, recolhendo quatro armas de fogo, conforme divulgado em coletiva nesta manhã.
A chamada Operação Ano Novo, Vida Nova registrou diligências em todo o território gaúcho, com foco em reduzir a violência contra mulheres e promover a rede de apoio às vítimas, através da distribuição de informativos em locais públicos. Outra prioridade da ação foi apurar 102 denúncias anônimas, além da fiscalização de agressores monitorados por tornozeleira eletrônica.
Sob o comando da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), que é vinculada ao Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), a ofensiva reuniu o efetivo da especializada. "Nossa missão é proteger as mulheres gaúchas da violência oriunda de um longo período de machismo tóxico. Vamos seguir firmes e atentos. Não estamos inertes”, afirmou a delegada e diretora da Dipam, Waleska Alvarenga.
Conforme a delegada, 95% das vítimas de feminicídio no ano passado não tinham Medida Protetiva de Urgência (MPU) em vigor. “É fundamental que as mulheres solicitem MPU. Infelizmente, muitas não conseguem quebrar o ciclo de violência, por razões que incluem dependências financeira, emocional e psicológica, somadas ao próprio medo do agressor, entre outros motivos”, disse.
Além de Waleska Alvarenga, ainda estiveram na coletiva a secretária-adjunta da Segurança Pública, Adriana Regina da Costa, o delegado e Chefe de Polícia, Heraldo Guerreiro, a delegada e subchefe da Polícia Civil, Patrícia Tolotti Rodrigues, o delegado e diretor do DPGV, Juliano Ferreira e as delegadas Thais Dias, Cristiane Ramos e Marina Dillemburg.
Sete mulheres mortas em 2026
Pelo menos sete feminicídios ocorreram no Rio Grande do Sul desde o início de janeiro. Destes, cinco foram registrados entre o último domingo e essa terça-feira. A cifra representa média de uma mulher morta a cada três dias em 2026, superando os seis casos que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) contabilizou em dezembro do ano passado no território gaúcho.
Neste mês, duas das ocorrências aconteceram em menos de 24 horas, ambas na zona sul de Porto Alegre, onde as vítimas foram esfaqueadas por seus respectivos ex-companheiros. Os outros cinco registros ocorreram em Muitos Capões, Sapucaia do Sul, Guaíba, Canguçu e Santa Rosa. Também houve o assassinato de uma sétima mulher em Bento Gonçalves, mas o caso é investigado como homicídio no contexto do tráfico de drogas.