As investigações, iniciadas em junho do ano passado pela delegada Vivian do Nascimento, revelaram que 63 pessoas estavam envolvidas na quadrilha. Os roubos eram cometidos entre o final da tarde e à noite. As vítimas eram surpreendidas com seus veículos estacionados ou até mesmo trafegando e parados em sinaleiras.
Ainda segundo a Polícia Civil, os carros eram roubados ou furtados por encomenda. Depois, os veículos eram desmanchados para abastecer ferros-velhos ou clonados para serem vendidos com valores entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil, a receptadores e outros bandidos. A quadrilha mantinha ainda algumas rotas para envio das autopeças ou os veículos clonados ao interior do Rio Grande do Sul e ainda em Santa Catarina e Paraná.
A quadrilha teria roubado mais de 100 veículos nos últimos 12 meses. Cerca de 50 vítimas já reconheceram os suspeitos. “O número de vítimas pode aumentar a partir de agora”, previu o titular da Delegacia de Repressão ao Furto e Roubo de Veículos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Juliano Ferreira.
Na operação, os agentes apreenderam cinco veículos: um Corolla, uma S10, um Audi, uma Grand Caravan e um Uno, além de uma espingarda calibre 12, um revólver calibre 38, uma arma de pressão, munição, placas e documentos automotivos, celulares, computadores e cinco quilos de maconha, entre outros objetos.
Cerca de 300 policiais civis foram mobilizados no cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão e de outros 40 mandados de prisão temporária em Porto Alegre, Lajeado, Sapucaia do Sul, Alvorada, Cachoeirinha, Viamão, Guaíba, Gravataí, Eldorado do Sul, Tramandaí e Entre-Ijuís, além de Indaial, em Santa Catarina. A ação foi comandada pelos delegados Juliano Ferreira e Arthur Raldi.
Polícia Civil crê na redução dos crimes
A quadrilha tinha seis braços operacionais, atuando no roubo dos veículos, receptação, clonagem, falsificação de documentos, desmanche e comercialização. Para o delegado Juliano Ferreira, os índices deste tipo de crime devem cair em Porto Alegre e região Metropolitana.
Já o delegado Arthur Raldi explicou que, em junho do ano passado, quando começaram as investigações em Viamão, foram registrados 28 roubos e furtos de veículos. “Desses, 14 foram cometidos por esta quadrilha”, destacou. Os ataques sempre tinham o envolvimento de um Santana, de cor branca, e de uma moto.
Como os carros eram roubados por encomenda, com o modelo selecionado, os assaltantes escolhiam a vítima de modo aleatório. Através de escutas telefônicas, os policiais civis flagraram conversas sobre os tipos de automóveis a serem roubados ou desmanchados, inclusive pelo líder da quadrilha, Daniboy, de dentro da PEJ.