Quatro pessoas foram presas em Passo Fundo, nesta quinta-feira, em diligências da Operação Maré de Azar. Os suspeitos, todos da mesma família, são investigados por aplicar o chamado “golpe do bilhete premiado”. Eles viraram alvo da DP de Capão da Canoa, que comandou a ação, após um idoso que mora no Litoral Norte ter sido lesado no esquema.
A vítima tem 73 anos e perdeu mais de R$ 160 mil. Foram identificados seis participantes do golpe, sendo deferidos pela Justiça cinco mandados de prisão preventiva, que foram cumpridos nesta manhã. Uma medida cautelar de busca e apreensão também foi executada, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana.
De acordo com o delegado Marco Swirski, titular da DP de Capão da Canoa, um dos alvos da operação já estava no sistema prisional. Ele foi detido no último dia 17 de fevereiro e, desde então, permanece na Penitenciária Modulada Estadual de Osório. Além dele, outras cinco pessoas foram presas na ocasião.
"Começamos a investigação em janeiro, quando recebemos a denúncia da vítima. Já em fevereiro, soubemos que parte dos suspeitos estava em Capão da Canoa e pretendia fazer mais vítimas. Então, como eles já estavam sendo monitorados, acabaram sendo presos”, explicou o delegado Marco Swirski.
A família investigada é tida pela polícia como “especialista” em aplicar o golpe do bilhete, sendo relacionada a golpes em outros estados, a exemplo de São Paulo. Conforme a investigação, o lucro dos parentes com o esquema ultrapassa centenas de milhares de reais, tanto que, durante uma ida a um shopping em Porto Alegre, eles gastaram R$ 50 mil. O alvo favorito do grupo são os idosos.
Entenda o golpe do bilhete premiado
O delegado Marco Swirski alerta que o golpe do bilhete premiado ocorre em diferentes etapas. A primeira fase acontece quando a vítima é abordada na rua por uma pessoa mal vestida, que finge ser de origem humilde e pede informações sobre um suposto endereço que consta em um bilhete.
Surge então outra pessoa, em geral bem vestida, que alega ter ouvido a conversa e se propõe a ajudar. Na terceira parte da farsa, é contatado um suposto gerente da Caixa Econômica Federal, que informa que o bilhete tem números sorteados e garante um prêmio.
Depois de passadas as orientações para retirar a falsa gratificação, os golpistas prometem repassar à vítima uma parte da recompensa, mas pedem em troca uma “garantia”. A vítima, imersa na história, costuma transferir valores a uma conta ou sacar dinheiro em notas. Ocorre, entretanto, que o montante prometido a ela nunca é entregue.