Polícia

Quatro vão a júri por assassinato de cabeleireira que já havia sido alvo de atentado em Tramandaí; relembre o caso

Segundo o MP, irmã e cunhado encomendaram homicídio de Návia Regina Christan duas vezes: em 2017 ela sobreviveu, um ano depois ela foi morta a tiros no próprio salão de beleza

Návia Regina Christan, 46 anos, foi alvo de dois crimes com os mesmos mandates, segundo MPRS
Návia Regina Christan, 46 anos, foi alvo de dois crimes com os mesmos mandates, segundo MPRS Foto : Reprodução / Facebook / CP

Quatro acusados pelo assassinato da cabeleireira Návia Regina Christan, 46 anos, serão julgados a partir de quinta-feira, em Tramandaí, no Litoral Norte. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os mesmos mandantes que encomendaram uma tentativa de homicídio contra Návia em 2017, que deixou-a cega de um olho, também determinaram a execução da vítima pouco mais de um ano depois.

De acordo com o MPRS, os crimes tiveram a mesma motivação. A irmã e o cunhado acreditavam que Návia estaria causando prejuízos financeiros à irmã, que também era cabeleireira.

A irmã, o cunhado e a mulher que intermediou a contratação foram condenados pelo Tribunal do Júri pela tentativa de homicídio, em março de 2025. Os dois homens apontados como executores do crime de 2018 também foram julgados e condenados.

Agora, os mandantes e a intermediária voltam a ser julgados, desta vez pela participação no planejamento e na contratação dos executores do assassinato de Návia. Além deles, o atirador também será julgado.

O júri está previsto para durar dois dias, com continuidade na sexta-feira. A acusação sustenta as qualificadoras de motivo fútil, promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme a participação atribuída a cada réu.

Primeira tentativa

O primeiro ataque ocorreu em 26 de outubro de 2017. A irmã da vítima e o cunhado, contrataram uma mulher para encontrar um executor. No dia do crime, um homem entrou na casa de Návia e atirou três vezes, mas a arma falhou.

Logo depois, efetuou mais um disparo que atingiu a cabeça da mulher. Enquanto o criminoso fugiu, ela foi socorrida e encaminhada para hospital. A cabeleireira sobreviveu, mas ficou cega de um olho.

Além da irmã e do cunhado, apontados como mandantes, uma mulher responsável por intermediar a contratação e o atirador foram condenados pelo crime em um plenário de dois dias, em março de 2025. Sobre a tentativa de homicídio triplamente qualificada, julgada agora, a irmã da vítima recebeu uma pena de 18 anos de prisão e o cunhado de 16 anos de reclusão. A mulher que contratou o executor foi condenada a 11 anos, dez meses e sete dias de prisão e o atirador a 17 anos, nove meses e dez dias de reclusão.

Juiz Gilberto Pinto Fontoura fez a leitura da sentença | Foto: Juliano Verardi/TJRS/CP

Nova tentativa foi fatal

Em 2018, os mesmos mandantes, segundo o MPRS, voltaram a acionar a intermediária. Ela fez contatos e chegou a dois executores, que não haviam participado da tentativa anterior. No dia 5 de novembro do mesmo ano, um deles entrou no salão de beleza de Návia se passando por cliente e a matou com três tiros.

Agora, quatro acusados de participação no planejamento, na articulação e na contratação dos responsáveis pela execução serão julgados. Eles respondem por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme a participação atribuída a cada um.

Julgamento

O julgamento começa às 9h de quinta-feira e tem previsão de durar dois dias, com continuidade na sexta-feira. A acusação será conduzida pelos promotores de Justiça André Tarouco, de Tramandaí, e Aline Baldissera, designada pelo Núcleo de Apoio ao Júri do MPRS.

O júri estava inicialmente marcado para julho, mas foi remarcado após as defesas de dois acusados pedirem o desmembramento do processo. A Justiça negou o pedido e manteve o julgamento conjunto, considerando que as condutas atribuídas aos réus estão relacionadas.