Polícia

Receita e PF desmontam esquema de fraudes em distribuidora de autopeças

Operação foi deflagrada em três estados e inclui a cidade de Caxias do Sul

Uma operação da Receita Federal e da Polícia Federal contra o esquema de fraudes em autopeças foi deflagrada na manhã desta quarta-feira em três estados do Brasil: Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul). A investigação apontou a existência de sonegação fiscal e previdenciária, blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro mantido por membros de uma família tradicional de Maringá, proprietária de uma das maiores distribuidoras do País.

Cerca de 250 servidore foram incumbidos de cumprir 45 mandados de busca e apreensão e 35 conduções coercitivas. Entre as medidas já autorizadas pela Justiça Federal, está o bloqueio de mais de 150 veículos e de duas aeronaves utilizadas pela organização investigada.

Em função de várias fiscalizações da Receita Federal, na última década, 25 empresas do grupo acumularam dívidas junto ao fisco na ordem de R$ 112 milhões, o que motivou a montagem de esquema fraudulento de planejamento tributário e de blindagem patrimonial.

A operação ilícita tinha objetivo de afastar os verdadeiros sócios das responsabilidades tributárias e dar continuidade aos negócios da distribuidora por intermédio de cerca de 70 empresas comerciais em nome de “laranjas” ou “testas-de-ferro”.

Contas movimentavam R$ 700 milhões


Para dissimular a expressiva movimentação financeira da organização criminosa, o esquema constituiu e passou a utilizar de forma fraudulenta ao menos 14 empresas de “factoring” - também com sócios “laranjas” – cujas contas bancárias movimentaram cerca de R$ 700 milhões entre 2003 e 2007.

Essas empresas funcionavam como “caixa centralizador” do esquema, tanto para cobranças dos clientes como para pagamentos pelo grupo econômico das aquisições de autopeças junto às indústrias fornecedoras. Algumas dessas  companhias de “factoring”, já fiscalizadas pela Receita, acumulam R$ 26 milhões em dívidas tributárias.

O grupo econômico possui empresas espalhadas por diversos estados (principalmente São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Bahia). Conta com cerca de 1,2 mil empregados, vários registrados em companhias que efetivamente trabalham com salários e benefícios informados a menor, caracterizando também fraude contra a previdência social.

Além dos cerca de R$ 140 milhões em débitos constituídos e já em dívida ativa, verificou-se que a movimentação bancária total do grupo, entre 2008 e 2010, girou em torno de R$ 1,5 bilhão e estima-se que, nos últimos quatro anos, as fraudes praticadas contra a Fazenda Nacional e contra os Fiscos Estaduais possam alcançar a expressiva soma de R$ 800 milhões.

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