A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira, a Operação Anemia, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável pela importação ilegal de grandes quantidades de mercadorias de origem estrangeira sem obediência aos devidos procedimentos legais. Conforme a investigação, o grupo estaria atuando juntamente com uma rede de colaboradores de agentes públicos ativos e inativos.
O grupo seria responsável pela internalização de produtos de forma ilícita a partir do Paraguai para, posteriormente, atender clientes dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal, em cidades onde estão localizados grandes comércios populares e lojas de produtos eletrônicos descaminhados.
Ao longo das investigações, PF e Receita Federal apontam que também foram encontrados indícios de lavagem de dinheiro e identificadas contas bancárias relacionadas aos investigados, as quais acolheram valores originados de pessoas que possuíam antecedentes criminais relacionados à prática de crimes de contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.
O grupo adquiria produtos diretamente de fornecedores nos Estados Unidos, China e Hong Kong, de modo que as cidades paraguaias da região da fronteira passaram a servir apenas como entreposto físico das mercadorias, recebidas por meio de serviços de courier internacional. Para operacionalizar os pagamentos aos fornecedores localizados nesses países, a organização criminosa teria estruturado uma complexa rede de empresas nacionais e no exterior (offshore) que, mediante utilização de criptomoedas, efetivavam a evasão de divisas e a lavagem do dinheiro.
Apenas em uma das empresas, constituída em nome de uma funcionária, foram movimentados aproximadamente R$ 700 milhões sem o correspondente faturamento declarado. A organização criminosa teria utilizado ainda empresas de fachada, sem capacidade operacional aparente e com fluxos contábeis simulados, que registraram receitas fictícias para dar lastro à distribuição de lucros aos sócios e dissimular a origem ilícita dos recursos.
A operação desta quinta-feira contou com a participação de aproximadamente 220 Policiais Federais e 34 Auditores-Fiscais e Analistas Tributários da Receita Federal que cumpriram, ao todo, 53 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva em cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. As ordens judiciais expedidas pela 9ª Vara Federal de Curitiba preveem o sequestro, bloqueio e apreensão de bens imóveis, veículos, dinheiro em espécie, obras de arte, joias, criptoativos e outros itens de luxo ou de alto valor encontrados no local.