Polícia

Recém-nascida é encontrada dentro de lixeira em Bento Gonçalves

Menina ainda estava com o cordão umbilical e enrolada em toalhas quando foi localizada por trabalhador no bairro Vinosul, durante madrugada de temporal com granizo; bebê está internada sem risco de morte e ficará em acolhimento após alta

Uma recém-nascida foi encontrada dentro de uma lixeira na noite de sexta-feira, no bairro Vinosul, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. A menina ainda estava com o cordão umbilical e enrolada em toalhas quando foi localizada por um trabalhador que passava pelo local, por volta das 23h30.

A Brigada Militar foi acionada e encaminhou a criança ao Hospital Tacchini. Ela permanece internada na UTI Neonatal, apresenta quadro de saúde estável e não corre risco de morte.

A Polícia Civil busca testemunhas e imagens de câmeras de segurança da região para identificar quem deixou a criança no local. A investigação está a cargo da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Bento Gonçalves, sob responsabilidade da delegada Deise Salton.

Segundo a delegada, ainda não há informações sobre quanto tempo a bebê permaneceu na lixeira, se foi colocada diretamente no contêiner ou dentro de algum recipiente, nem sobre seu tempo de vida quando foi encontrada.

Bebê ficará em acolhimento institucional

O caso causou comoção no município e mobilizou o Conselho Tutelar. Segundo a conselheira Silvana Lima, que estava de plantão na ocasião, a Brigada Militar entrou em contato com o órgão por volta da meia-noite de sábado, quando a bebê já havia sido encaminhada ao hospital. No mesmo dia, representantes do Conselho foram até a instituição de saúde para verificar a situação da criança e constataram que ela ainda estava com o cordão umbilical.

O Conselho Tutelar comunicou o caso ao Judiciário, que determinou, na manhã deste domingo, o acolhimento institucional da recém-nascida como medida de proteção. Após receber alta hospitalar, ela será encaminhada ao serviço de acolhimento do município.

“É uma coisa atípica. Temos casos de abandono, de pais que deixam crianças no Conselho, mas nunca vi uma situação tão crítica. Só ouvíamos falar em outros lugares, mas aqui nunca. Agora nós nos deparamos com isso no nosso município. É muito triste, nos comoveu bastante”, relata Silvana.

Após a divulgação do caso, o Conselho Tutelar recebeu manifestações de pessoas interessadas em adotar a menina. Silvana, porém, ressalta que a adoção depende de procedimentos legais e de decisão judicial.

“Tem que ver se há familiares aptos e, depois, a Justiça decide se vai para adoção. Se for o caso, já existe uma fila de pessoas à espera para adoção”, explica.