Polícia

Rede de supermercados gaúcha nega sonegação de tributos

Receita Federal deflagrou operação "Blindagem de Papel" na região Metropolitana

Defensor da Rede Asun de Supermercados no processo judicial da Receita Federal e Procuradoria Regional da Fazenda Nacional, o advogado Claudio Lamachia rebateu as insinuações de que se trate de um caso de sonegação e até de transferência de patrimônio. O grupo foi alvo da operação "Blindagem de Papel", desencadeada nesta quarta-feira.

Ele destacou que a dívida sempre foi reconhecida pela empresa e, por isso, a mesma tem procurado negociar o pagamento dos tributos federais. “Como está acontecendo com uma série de outras empresas, a empresa enfrenta dificuldades no dia a dia devido à altíssima carga tributária”, recordou.

O advogado esclareceu ainda que a empresa, em dado momento, teve de optar em honrar os pagamentos de funcionários e fornecedores ao invés da quitação dos impostos federais para manter-se em operação. Claudio Lamachia acredita que a Receita Federal não encontrará nada de ilícito nas investigações. De acordo com ele, a empresa “luta para manter milhares de empregos”.

A operação

Com apoio da Polícia Federal, a operação ocorreu em cinco unidades do grupo em Porto Alegre, Gravataí e Canoas. Houve o cumprimento de cinco mandados judiciais de busca e apreensão. Um dos locais foi na rua Padre Chagas, no bairro São Judas Tadeu, em Gravataí. Documentos e computadores foram recolhidos durante a operação. O grupo teria dívidas em torno de R$ 260 milhões pelo não pagamento de tributos federais.

Conforme a Receita Federal, a ação foi realizada devido à necessidade de obter informações mais aprofundadas diante da suspeita de desvio de recursos para terceiros ou empresas, evadindo-se do pagamento de tributos federais nas esferas administrativa e judicial. O superintendente adjunto da Receita Federal, Ademir Gomes de Oliveira, explicou que se trata de um “devedor costumaz com uma dívida grande”, submetido a um processo de execução fiscal por conta da inadimplência. “Onde está indo o dinheiro? O que está acontecendo? Queremos saber a real situação do devedor”, afirmou.

As investigações começaram em 2012, sendo que o número de investigados está entre 10 e 12 pessoas, incluindo os sócios e familiares. O procurador regional da Fazenda Nacional, José Diogo Cyrillo da Silva, disse que o objetivo é verificar, por exemplo, se está ocorrendo transferência de patrimônio e dinheiro, apurando o que é lícito ou não. Ele lembrou que 5% do faturamento bruto mensal da empresa está empenhorado por determinação judicial até o final do processo. Em relação à possibilidade de sonegação, o procurador regional frisou que, em princípio, não foi detectada, Entre as medidas em andamento estão o levantamento do patrimônio e movimentação financeira dos investigados. Segundo ele, a operação deflagrada ontem não teve de cunho autoritário pois está “fundada em decisão judicial”.

Bookmark and Share