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Região Sul tem a menor taxa de mortes violentas intencionais do país, aponta Anuário de Segurança Pública

Rio Grande do Sul registra segunda maior queda de mortes violentas intencionais, com recuo de 25,7% em apenas um ano

Anuário revela ainda que o estado gaúcho concentra a maior incidência de tráfico de drogas do Brasil
Anuário revela ainda que o estado gaúcho concentra a maior incidência de tráfico de drogas do Brasil Foto : Polícia Civil / CP

A Região Sul registrou a menor taxa de mortes violentas intencionais (MVI) do País em 2025, segundo dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Foram 11,9 mortes para cada 100 mil habitantes, pouco mais de um terço do índice do Nordeste, que fechou o ano em 31,6.

O Estado do Rio Grande do Sul teve a segunda maior queda percentual do indicador entre as 27 unidades da federação. Em um ano, a taxa gaúcha caiu de 15,2 para 11,3 mortes por 100 mil habitantes, recuo de 25,7%. Na prática, são 438 vítimas a menos: o Estado passou de 1.704 mortes violentas em 2024 para 1.266 em 2025, ficando atrás apenas do Amazonas, que reduziu 32,5%.

Ao todo, o País registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, taxa de 19,1 por 100 mil habitantes e queda de 8,2% ante 2024. É a menor da série histórica iniciada em 2012 e a primeira vez que o indicador nacional fica abaixo de 20. O índice gaúcho equivale a pouco mais da metade dessa média.

A categoria MVI reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Considerando apenas os homicídios dolosos, o País chegou a 32.914 casos e a uma taxa de 15,4 por 100 mil habitantes, o que antecipou em dois anos a meta de 16 homicídios por 100 mil prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027.

RS lidera os registros de tráfico de drogas no País

Em 2025, o Sul também apresentou a maior taxa regional de ocorrências de tráfico de drogas, com 125,3 registros por 100 mil habitantes, acima do Sudeste (109,2), do Centro-Oeste (107,2), do Norte (73,0) e do Nordeste (67,5). A média nacional ficou em 97,0.

Entre os estados, o Rio Grande do Sul lidera, com 160,2 ocorrências por 100 mil habitantes. Foram 17.993 casos no ano, alta de 7,5%. No Brasil, os registros somaram 207.058 e cresceram 18,5%, com avanço em 25 das 27 unidades da federação.

Letalidade policial gaúcha está entre as menores do País

O RS registrou 76 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, queda de 48,3% ante o ano anterior. A taxa estadual, de 0,7 por 100 mil habitantes, é a terceira menor do País, atrás de Roraima (0,4) e do Distrito Federal (0,5).

O movimento nacional foi oposto e as mortes provocadas por policiais civis e militares em serviço ou fora dele somaram 6.602 casos, alta de 5,4% e maior número absoluto da série histórica iniciada em 2016. O indicador respondeu por 16,2% de todas as mortes violentas intencionais no País, a maior participação já registrada.

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Estados do Sul concentram as maiores quedas em violência sexual

Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam pelas maiores reduções em números absolutos de registros de estupro e estupro de vulnerável entre 2024 e 2025, resultado que influenciou diretamente a queda nacional do indicador.

O Brasil contabilizou 84.388 registros de estupro em 2025, ante 88.843 no ano anterior, com taxa de 39,5 por 100 mil habitantes e recuo de 5,4%. É a primeira redução desde a pandemia. Meninas e mulheres foram quase 9 em cada 10 vítimas.

No Rio Grande do Sul, foram 5.082 casos de estupro e estupro de vulnerável, queda de 9%. Desse total, 4.343 tiveram vítimas do sexo feminino.

Descumprimento de medida protetiva mantém o RS acima da média

O Estado notificou 18.455 registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra mulheres e 31.558 casos de ameaça em 2025. A taxa gaúcha de descumprimento de medida protetiva de urgência ficou em 123,7 por 100 mil mulheres, a segunda maior do País, atrás apenas do Paraná (195,3).

O descumprimento de medidas protetivas foi o único crime analisado pelo Anuário a crescer nas 27 unidades da federação. Foram 132.025 registros no Brasil, alta de 16,7%, o equivalente a 362 violações por dia e 15 a cada hora.

Racismo e violência contra LGBTQIAPN+ crescem no Estado

O Rio Grande do Sul somou 3.016 registros de racismo em 2025, taxa de 26,8 por 100 mil habitantes, a terceira maior no País, atrás apenas de Santa Catarina (32,8) e do Distrito Federal (30,3). No Estado gaúcho, a injúria racial correspondeu a 4,9% do total de crimes de racismo, proporção muito abaixo do padrão nacional, em que essa tipificação responde por cerca de 70% dos registros.

No Brasil, os registros de racismo chegaram a 30.743 casos, alta de 13%, enquanto os de injúria racial somaram 21.443, crescimento de 9,2%.

Os casos de lesão corporal dolosa contra a população LGBTQIAPN+ no Rio Grande do Sul chegaram a 635 em 2025, aumento de 58,8% sobre 2024. Nacionalmente, os registros de racismo por homofobia ou transfobia cresceram 35,6%.

População prisional gaúcha cresce 14,1%

O número de pessoas privadas de liberdade no Rio Grande do Sul, incluindo as sob custódia policial, chegou a 53.386 em 2025, taxa de 475,2 por 100 mil habitantes e alta de 14,1% em um ano. Presos provisórios representam 26,4% do total, ou 14.119 pessoas.

No sistema socioeducativo, 566 adolescentes cumpriam medida em meio fechado, taxa de 46,2 por 100 mil adolescentes e aumento de 18,4% na comparação anual.

O Brasil fechou 2025 com 964.668 pessoas presas e déficit de 281.213 vagas no sistema penitenciário, resultado que cresceu 18,3% em relação ao ano anterior.

Estelionato lidera os crimes patrimoniais

O Rio Grande do Sul contabilizou 83.660 boletins de ocorrência por estelionato em 2025, alta de 3,8%, dos quais 16.168 por meio eletrônico. O crime se consolidou como o principal delito patrimonial do País, com 2.261.055 registros e crescimento de 429,8% desde 2018.

O movimento foi inverso nos celulares. O Estado somou 14.463 ocorrências de roubo e furto, taxa de 128,8 por 100 mil habitantes e queda de 4,3%, o equivalente a 13.681 aparelhos subtraídos. No País, o recuo chegou a 7,7%, puxado pelos roubos, enquanto os furtos ficaram estáveis. Os veículos roubados e furtados no Rio Grande do Sul totalizaram 8.093 casos.

Desaparecimentos somam 7,6 mil registros

Entre os desaparecimentos, o Estado totalizou 7.611 notificações em 2025, além de 7.661 pessoas localizadas pelos órgãos policiais. No País, foram 84.269 registros de pessoas desaparecidas, alta de 3,6%, com taxa de 39,5 por 100 mil habitantes.

Sobre tráfico de pessoas, o Rio Grande do Sul registrou 32 notificações no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025. Em 2023, o Estado concentrava quase metade das notificações do gênero em todo o País.