Polícia

Relembre o caso do bolo envenenado em Torres

Suspeita de envenenamento foi encontrada morta nesta quinta-feira

Bolo continha arsênio
Bolo continha arsênio Foto : Sofia Villela / IGP / Reprodução / CP

A suspeita de envenenar o bolo que matou três pessoas da mesma família em Torres, no final do ano passado, foi encontrada morta nesta quinta-feira na Penitenciária de Guaíba Os indícios apontam que Deise Moura dos Anjos tirou a própria vida.

O ato teria sido cometido durante madrugada. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ir ao local, mas não conseguiu salvar a detenta. Abaixo confira tópicos que relembram o caso:

Bolo envenenado continha arsênio

A farinha do bolo que levou três pessoas à morte estava contaminada com altas doses de veneno. De acordo com o resultado da perícia, a quantidade de arsênio na farinha era de 65 gramas por quilograma, cerca de 2,7 mil vezes maior do que a concentração da substância encontrada no bolo. O químico é a base do veneno arsênico.

Polícia acha nota fiscal de compra de arsênio em celular de suspeita

A Polícia Civil confirmou que havia uma nota fiscal de compra de arsênio no celular de Deise. No documento, ainda segundo a instituição, também constava o nome de Deise como destinatária.

Sogra seria principal alvo, e brigas entre as duas começaram em 2004

As três pessoas que morreram em dezembro após consumirem o bolo contaminado são duas irmãs e uma sobrinha de Zeli dos Anjos, sogra de Deise Moura dos Anjos, que sobreviveu e seria o principal alvo da suspeita

A relação entre as duas era conturbada, e as brigas começaram após um saque não autorizado de R$ 600 por parte de Zeli, o que corresponde a pouco mais de R$ 2,4 mil nos dias atuais, segundo dados corrigidos pelo IGP-M.

A versão é que Zeli pegou o cartão bancário do filho sem pedir e fez o saque. O valor teria sido devolvido ao gerente do banco no dia seguinte mas, nas palavras de Deise, a relação entre elas “nunca mais foi a mesma pois não havia mais confiança”.

Gráfico mostra evolução do caso | Foto: Leandro Maciel

Deise também é suspeita de matar o sogro

Deise também é suspeita de matar o sogro, Paulo Luiz dos Anjos, mas em um episódio diferente, em setembro do ano passado. Exames apontaram a presença de arsênico no cadáver, o mesmo químico encontrado nas vítimas que ingeriram a sobremesa em 23 de dezembro.

A família acreditou que Paulo havia morrido por intoxicação alimentar. À época, a crença foi de que o motivo do óbito seria o consumo das bananas, teoricamente contaminadas na enchente.

Veja Também

Filho e marido de Deise também consumiram arsênio

Foi identificado arsênio também nos organismos do marido e do filho de Deise. A principal suspeita é que a dupla tenha ingerido um suco contaminado, também em dezembro, antes do caso envolvendo a sobremesa.

O relato dá conta que o alvo de Deise seria o companheiro, mas o filho do casal também teria consumido o suco. Ela então teria forçado o menino a regurgitar.

Após ser ameaçada por detentas, Deise foi transferida

Deise estava recolhida temporariamente no Presídio Feminino de Torres desde o dia 5 de janeiro. Ela foi transferida para o Presídio Feminino de Guaíba no início deste mês, e um dos motivos é de que ela estaria sendo ameaçada por outras detentas.