Nesta quinta-feira, foram presas três pessoas e seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Um auditor fiscal do trabalho, um servidor administrativo do Ministério do Trabalho e um empresário foram presos temporariamente. O delegado responsável pela investigação, Aldronei Pacheco Rodrigues, explica que o auditor suspeito de encabeçar o esquema agia em conluio com uma empresa da área de segurança do trabalho.
“Ele escolhia grandes obras, determinava embargos e, na sequência, representantes da consultoria procuravam os responsáveis pelas obras para vender serviços (em troca de propina). Depois, o mesmo auditor desembargava a obra, em um prazo recorde”, esclarece o delegado.
O esquema tinha êxito porque as empreiteiras devem cumprir cronogramas de entrega dos empreendimentos. “Ninguém quer arcar com custo de pessoal e equipamentos alugados sem utilização, além disso existem multas por atraso na entrega de obras”, destacou Rodrigues.
O nome da consultoria não foi divulgado, mas a PF garantiu que é uma das maiores do Estado, atuando há quase duas décadas no ramo. O superintendente Sandro Caron de Moraes destacou que a empresa já havia ampliado a área de abragência. "Começaram a atuar também em Brasília e São Paulo", garantiu o policial.
O esquema envolvia o pagamento de propina para engenheiros encarregados de obras de grandes construtoras para contratarem o grupo de assessoria na área de segurança. Não foi divulgado quantas obras foram embargadas nos últimos dois anos em função do esquema fraudulento. Segundo a PF, dezenas de construções privadas na Grande Porto Alegre foram alvos da quadrilha, que afetou até mesmo empreendimentos particulares previstos para a Copa do ano que vem.