O Rio Grande do Sul é o segundo estado com o maior número de notificações de casos envolvendo algum tipo de violência no país. Desde 2009, quando o sistema do Ministério da Saúde iniciou o mapeamento, foram 71 mil registros em 441 municípios gaúchos. O primeiro é São Paulo. De acordo com Cheila Lima, técnica do Ministério da Saúde, os estados com maior número de registros não são necessariamente os mais violentos, pois o sistema ainda não tem participação tão ampla. “Os dados demonstram que há regiões que estão se estruturando com redes de apoio e dando mais visibilidade a um assunto que antes ficava oculto”, comentou.
A importância das notificações para o desenvolvimento de políticas públicas para enfrentar e prevenir a violência foi tema de debate em capacitação promovida ontem pela Coordenadoria-Geral de Vigilância em Saúde de Porto Alegre.
Para as representantes nos âmbitos federal, estadual e municipal, as notificações contribuem para conhecer a magnitude do problema, o perfil das vítimas e as causas. “São instrumentos de gestão e de organização dos serviços que podem ser oferecidos à população”, ressaltou Cheila. No entanto, salientou ela, ainda há o receio dos servidores com ameaças por parte dos agressores.
Em Porto Alegre foram 10,4 mil registros de 2009 a maio de 2015, sendo 839 apenas neste ano. “Este número ainda é muito baixo comparado ao que realmente acontece. É preciso estimular os profissionais da saúde, do ensino e da assistência social para que uma rede de cuidado seja acionada a partir da identificação de um caso”, afirma a psicóloga Sandra Kurtz. A partir dos dados coletados, a coordenadoria municipal constatou que em 90% dos casos de abuso sexual de crianças e adolescentes o agressor era uma pessoa próxima.
RS é o segundo estado do País em casos de agressões
Desde 2009 foram 71 mil registros em 441 municípios gaúchos