Polícia

Sanfelice apela à Justiça espanhola para não ser extraditado

Em audiência, empresário criticou as prisões brasileiras

O empresário Luiz Henrique Sanfelice, 43 anos, apelou para à Justiça espanhola para que não o deportem para o Brasil. Conforme ele, se o extraditassem, a Justiça o estaria enviando “para a morte”. O empresário teve, hoje, uma audiência na Audiência Nacional, em Madri, onde era examinado um pedido de extradição, feito pela juíza Teresa Sandoval. Segundo a agência de notícias Europa Press, a magistrada espanhola solicitou que Sanfelice fosse extraditado e, posteriormente, devolvido à Espanha, para cumrpir o resto da pena.

Segundo a Europa Press, o advogado do empresário considerou incoerente o pedido, pois acarretaria gastos tanto ao estado espanhol como ao brasileiro, além de invocar a constituição da Espanha, criticando as prisões brasileiras.

Sanfelice, que é filho e neto de espanhóis, afirmou ter sido torturado por 28 dias, quando ficou confinado em uma cela pequena e escura, com o piso alagado. Ele apelou à Justiça, justificando que durante o tempo em que esteve na prisão brasileira, presenciou 16 assassinatos. “A Polícia brasileira pediu-me 60 mil euros em troca de minha liberdade”, acusou o empresário. “Peço, imploro, suplico que me deixem ficar aqui, onde não me matarão e estarei perto do meu filho”, disse o empresário, que segundo a agência, estaria chorando quando fez o pedido.

Conselho de Ministros

No entanto, a última palavra em relação a extradição de Sanfelice será do Conselho de Ministros, que terá que se pronunciar sobre o caso. O empresário está condenado a 19 anos e três meses pelo assassinato de sua mulher, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, 43, ocorrido em 12 de junho de 2004. O corpo da vítima foi encontrado queimado dentro de um carro, no Santuário das Mães, em Novo Hamburgo.

Mesmo tendo denunciado o desaparecimento de Beatriz e participando de passeatas, onde levava cartazes com a foto da jornalista, com alegando pedindo “justiça e paz, o empresário foi preso uma semana após o encontro do corpo de sua mulher, como principal suspeito do crime. Após julgamento, ele foi condenado.

Ao passar para o regime semiaberto, o empresário conseguiu fugir. Foi preso por autoridades espalholas, o ano passado na localidade de Bullullos de la Mitación, em Sevilha. Sanfelice, de acordo com a Polícia Federal, estava na lista da Interpol.



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