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Sanfelice estava em uma penitenciária na Espanha, onde foi capturado no ano passado, após fugir do Brasil. Ele voltou ao Rio Grande do Sul na manhã desta quarta-feira em operação da Polícia Federal (PF). Conforme Gabriela, em um primeiro momento, o empresário quis ficar na Espanha por conta do melhor estado da prisão europeia. No local, havia piscina, quadra de esportes e faculdade. No entanto, ele teria começado a sentir falta da família e também percebeu que o sistema de progressão da pena seria mais benéfico.
Gabriela falou com Sanfelice após o seu desembarque, no Departamento Médico Legal (DML) e na Penitenciária Modulada de Montenegro, para onde ele foi encaminhado. Ela disse que a defesa aguarda a decisão do Judiciário que definirá se o seu cliente segue no semiaberto ou regride de regime em razão da fuga. “Tem também a remissão da pena, que a cada três dias trabalhados, ele cumpre um dia de pena. Ele tem 236 dias de remissão”, disse. Segundo a advogada, o empresário trabalhou servindo refeições no presídio da Espanha e dando assistência a pessoas com Aids.
Ao chegar ao DML, o empresário disse aos jornalistas que é inocente e que não matou a mulher. Ele recebeu oficialmente voz de prisão da PF no Aeroporto Salgado Filho após o desembarque.
O crime
O corpo de Beatriz foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, Centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.
No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carro. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.
A condenação
Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.
A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.
A fuga
Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.
A prisão
Em uma investigação que envolveu a Polícia Federal e a Interpol, Sanfelice foi preso em maio do ano passado em Sevilha, na Espanha. O empresário foi encontrado sem barba e com um corte de cabelo diferente. Sanfelice tem cidadania espanhola e portava documentos originais. Há informações de que ele trabalhava no mesmo ramo que atuava no Brasil – importação e exportação de calçados.
A extradição
O empresário chegou a declarar que preferia cumprir a pena no país europeu. Ele apelou para não ser extraditado, alegando ter sido torturado durante o tempo que esteve na prisão no Brasil. A Justiça espanhola decidiu em fevereiro, no entanto, pela extradição do empresário.