Polícia

Sargento é preso por corrupção e envolvimento com jogos de azar

Funcionário do Palácio Piratini acessava dados sigilosos de autoridades

O promotor de Justiça de Canoas Amilcar Macedo está investigando a participação de um sargento da Casa Militar em um suposto esquema de cobrança de propina a contraventores. O suspeito foi preso em sua residência, na zona Sul de Porto Alegre, na manhã desta terça-feira. Segundo o promotor, pelo Disque-Denúncia foi citado o nome de um oficial da Brigada Militar, da ativa, também envolvido no caso. A patente do oficial não foi revelada, nem onde ele está lotado.

O promotor pretende ouvir o sargento na próxima semana. O suspeito está preso na unidade prisional da BM, no Batalhão de Operações Especiais (BOE). Conforme o promotor, o sargento estava na Casa Militar há dois anos, vinculado à segurança da governadora Yeda Crusius, e acessou dados sigilosos de um ex-ministro, de um senador, de integrantes da Aeronáutica, do Comando de Policiamento da Capital (CPC) e de delegados de Polícia. O valor da propina paga pelos donos de caça-níqueis de Canoas seria de R$ 5 mil por mês.

Segundo Macedo, o sargento fazia cerca de 1,3 mil acessos por mês no sistema de Consultas Integradas da Secretaria da Segurança Pública. Muitas das pesquisas foram feitas fora da Casa Militar. Uma delas, segundo o promotor, ocorreu, provavelmente, a partir da casa do sargento. "A suspeita é que o sargento César Rodrigues de Carvalho faria uso político das informações e também para intimidar prováveis testemunhas", disse Macedo, que não acredita que o suspeito agisse só. A senha do sargento ainda lhe dava acesso às investigações realizadas pela Polícia Civil. Isso lhe permitia ficar sabendo como estava o andamento das investigações referentes à contravenção.

De acordo com o procurador, de posse dessas informações, o acusado procurava os contraventores e cobrava a propina. Ele informava aos caça-níqueis de Canoas quando ocorreriam as operações policiais e o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. "De posse desses dados de investigação da Polícia Civil, ele tinha como evitar que os contraventores fossem atingidos", disse o promotor de Justiça. O comando da BM acionou a Corregedoria da instituição para acompanhar o caso junto ao promotor.

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