Pereira não soube informar a situação do sargento na Brigada Militar. Nesta quinta, Rodrigues deve entrar em contato com a corporação. Até a sua prisão, ele era lotado na Casa Militar, onde segundo o Ministério Público acessou 95 mil vezes o Sistema de Consultas Integradas da Segurança Pública, desde o ano passado.
Nessa manhã, o sargento prestou um segundo depoimento no MP de Canoas. Por mais de três horas, Rodrigues foi ouvido pelo promotor Amilcar Macedo. Segundo o advogado, ele foi questionado sobre os acessos que fazia. De acordo com o defensor, a promotoria ainda apresentou nomes ao sargento para verificar a relação dele com determinadas pessoas, entre elas as assessoras do Palácio Piratini Walna Meneses e Sandra Terra. Da primeira, Rodrigues confirmou ter sido motorista. Com a segunda, ele negou contato próximo.
O sargento ainda negou, no depoimento, que tenha fornecido informações privilegiadas a jornalistas ou grupos de comunicação. Segundo o advogado Adriano Pereira, o militar informava a mídia sobre as operações das quais participava, como a Cova Rasa, que desarticulou um grupo de extermínio em Canoas.
Adriano Pereira informou também que um envelope, sem identificação, foi deixado hoje na portaria do Ministério Público. O documento é a cópia de um e-mail dirigido ao serviço de inteligência da Casa Militar com a solicitação de verificação de um nome no Sistema de Consultas Integradas da Segurança. O conteúdo não foi revelado pelo defensor, já que o processo segue em segredo de justiça.
No entanto, o advogado lembrou que o sargento não era o único que tinha acesso ao sistema de consultas e que o e-mail mostrado pelo promotor não estava direcionado ao militar. Segundo o defensor, César Rodrigues negou ter fornecido a senha de acesso para outras pessoas.
O advogado também falou sobre as imagens em poder do Ministério Público, que supostamente comprovam as extorsões realizadas pelo sargento a um dono de casas de bingo em Canoas. Ele contestou as que as imagens mostrem o militar recebendo dinheiro. E, novamente em função do segredo de justiça, disse não poder explicar o que o cliente fazia na casa do contraventor. Pereira assegurou, contudo, que a explicação já foi dada no primeiro depoimento prestado pelo sargento, na quinta-feira passada.