Procurado por telefone nesta noite, o advogado Adriano Marcos dos Santos Pereira, que faz a defesa do sargento, não atendeu, para confirmar se entraria com mais um pedido de liberdade a seu cliente. Na quinta-feira, ele acompanhou o suspeito no depoimento que durou mais de seis horas na sede do Ministério Público de Canoas. O militar negou ter extorquido um contraventor e ter espionado autoridades gaúchas através do sistema.
Nos próximos dias, o promotor de Canoas vai requisitar à Companhia de Processamento de Dados do Estado (Procergs) o acesso à caixa postal corporativa do militar. “Ele tentou acessar os e-mails do meu computador após o depoimento e não conseguiu”, contou Amilcar Macedo. O promotor não soube responder a razão de a caixa postal corporativa ter sido cancelada, nem mesmo se isto ocorreu depois da prisão. Quanto ao serviço de e-mails particular do policial, Macedo disse que também não foi possível acessá-lo na tarde de quinta-feira, quando o sargento depôs à Promotoria.
O sargento Rodrigues foi apontado por um contraventor de Canoas como tendo por prática extorquir operadores de caça-níqueis da cidade. Conforme a promotoria, Rodrigues recolhia aproximadamente R$ 5 mil por mês, apenas do denunciante. Imagens que, supostamente, comprovam o crime foram apreendidas e estão sendo periciadas. O policial também é apontado de usar uma senha Master de acesso ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria da Segurança Pública para acessar dados de políticos, policiais e até de integrantes do serviço de inteligência do Comando do Policiamento Metropolitano, responsável pela investigação que resultou na prisão.
César Rodrigues de Carvalho foi preso no dia 3, em sua casa, na Capital.