Polícia

Se fuga ocorresse, segurança entraria em colapso, afirma delegado

Rafael Pereira coordenou a ação que descobriu o túnel nos arredores do Presídio Central

Polícia Civil descobriu um túnel de 60 metros na Cadeia Pública de Porto Alegre
Polícia Civil descobriu um túnel de 60 metros na Cadeia Pública de Porto Alegre Foto : Ricardo Giusti
Após a Polícia Civil ter descoberto um túnel de 60 metros de extensão nos arredores da Cadeia Pública de Porto Alegre (ex-Presídio Central), os órgãos de segurança afirmaram que a ação evitou a maior fuga em massa da história prisional do Rio Grande do Sul. “Imaginem se este túnel tivesse atingido seus objetivos? Estaríamos lastimando a nossa derrota e a vitória do crime”, afirmou o delegado diretor de investigações do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), Mario Souza.

O delegado titular da 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (3ª DIN/Denarc), delegado Rafael Pereira, que coordenou a ação, afirmou que, após a descoberta do túnel e a prisão preventiva dos envolvidos na escavação, a próxima etapa é concluir o inquérito para responsabilizar criminalmente as lideranças de facções que desenvolveram o plano de fuga. “Se o túnel tivesse sido concluído e houvesse uma fuga em massa, a gente acha que o sistema de Segurança Pública entraria em colapso”, disse Pereira. “O fato é que sairiam os criminosos mais perigosos do Estado inteiro em uma fuga e isso mexeria com todo o sistema de segurança”, complementou.

A casa prisional abriga, atualmente, 4.554 detentos (2.730 acima da sua capacidade, que é de 1.824), mas de acordo com o tenente-coronel e diretor da Cadeia Pública, Marcelo Gayer Barboza, mais de oito mil pessoas circulam diariamente pelo local, o que representa uma população superior à maioria dos municípios do Estado. “Eu acredito que não haveria fuga. Nós já encontramos mais de oito túneis sendo feitos de dentro para fora do presídio e de fora para dentro também não foi o primeiro”, afirmou o coronel.

Ainda conforme Gayer, o muro da Cadeia Pública conta com “técnicas de engenharia” no subsolo e na parte superior, desenvolvidas justamente para evitar fugas. Mesmo com a descoberta do plano de fuga, o diretor reiterou que não houve nenhuma alteração na rotina da Cadeia. “Não reparamos mudança de comportamento, mas eles sentiram que perderam”, destacou Gayer.

Segundo ele, o túnel provavelmente seguia em direção ao Pavilhão D da Cadeia Pública, onde cumprem pena integrantes da facção criminosa “Abertos”, uma das primeiras formadas na casa prisional. Conforme Gayer, o número de detentos no pavilhão varia entre 900 e mil. “O que influencia na questão da fuga é o tempo de pena. A maioria dos apenados fica, em média, de quatro a cinco anos na Cadeia”, explicou o coronel.

Segundo coronel, é provável que o plano tenha sido desenvolvido por apenados que devem cumprir pena superior a este tempo. “Com a finalização do inquérito policial vamos chegar a nomes e esclarecer o que ocorreu”, afirmou Gayer.
O diretor da Cadeia ressaltou que não há “nenhuma possibilidade de rebelião” no local. “Existem práticas feitas há mais de 20 anos aqui para evitar qualquer tipo de rebelião”, disse.