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"O Bernardo era muito carinhoso, querido e amado por toda a comunidade. Ele abraçava todo mundo", lembrou Andressa. A madrasta, contudo, dizia que "não gostava do guri, que ele era um incômodo". Quando o menino tentava visitar o pai, a secretária relata que era comum a madrasta enxotá-lo: "Vai estudar, sai! Aqui não é seu lugar", detalhou.
A secretária comentou que o pai de Bernardo mostrava abatimento nos primeiros dias do suposto desaparecimento, mas depois mostrou tranquilidade. "No dia em que acharam o corpo do Bernardo, à tarde ele estavam no consultório e o Leandro me disse que, na próxima semana, ia começar a atender de novo, pois precisava seguir a vida", descreveu.
"Na quinta-feira ele estava bem abatido, com aparência cansada. Na segunda ele conversou um pouco mais", afirmou Andressa. "Estava um pouco melhor e perguntei onde que estaria o Bernardo e ele respondeu: 'Pois é Andressa, isso é o que quero sazer, o que todo mundo quer saber'", narrou a secretária.
“Qual pai quer ver a desgraça do filho?”
Conforme ela, Leandro Boldrini também rechaçou a ideia da morte do filho. "Ele ficou até com lágrimas nos olhos e eu questionei se o Bernardo não estava morto, ao que o doutor respondeu: 'Não quero pensar nessa possibilidade. Qual pai quer ver a desgraça do filho?'. Ele até me deu um abraço", disse a secretária.
O corpo de Bernando foi encontrado em um matagal de Frederico Westphalen na segunda-feira, dez dias depois de ele desaparecer. A família vivia em Três Passos. A investigação suspeita que a causa da morte tenha sido uma injeção letal. O pai e a madrasta do menino além de uma amiga da mulher, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, estão presos. Para a polícia, os três foram responsáveis pelo homicídio.