Uma das sete testemunhas de acusação a serem ouvidas nesta segunda-feira, no processo criminal sobre a morte do menino Bernardo tinha relação profissional com o médico cirurgião Leandro Boldrini, pai da criança. A secretária do consultório é uma das pessoas que tinha acesso direto às receitas emitidas pelo profissional.
A polícia sustenta que o garoto foi morto ao receber doses do medicamento Midazolam. A secretária Andressa Wagner sustenta que as receitas só eram previamente assinadas no caso de entrega específica para algum paciente. Ela fala que não percebeu o sumiço de receitas controladas. “A Graciele (Ugulini, madrasta de Bernardo) trabalhava comigo e tinha tanto acesso quanto eu. Sempre precisávamos da assinatura e do carimbo do Leandro”, ressaltou.
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Em conversa após a missa em homenagem ao menino, neste sábado, a delegada responsável pela investigação, Caroline Bamberg, disse que a receita com uma identidade falsificada apenas confirma a compra de Midazolam. “Não me importa buscar a identidade real dessa pessoa. Não faz diferença na investigação”, destacou.
Na audiência desta segunda, Andressa vai ser questionada sobre o contato com o menino. Segundo a secretária, o relacionamento era esporádico. ” Às vezes ele ia na clínica, mas era raro. Ele ficou na minha casa somente em uma oportunidade quando Leandro viajou para realizar um curso em Gramado”, lembrou.
Desde que o crime foi descoberto, o consultório de Leandro Boldrini está fechado. Ele e os demais réus, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz estão presos.
Relembre o caso
Bernardo, de 11 anos, desapareceu em 4 de abril, em Três Passos, e teve o corpo encontrado na noite do dia 14, em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico e enterrado às margens de um rio. Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta Graciele Ugulini, admitiu o crime e apontou o local onde a criança foi enterrada.
O pai do menino, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
A polícia sustenta a tese de que Graciele e Edelvânia executaram o homicídio usando doses do medicamento Midazolan – a madrasta porque entendia que o menino era um “estorvo” para o relacionamento entre ela e Leandro Boldrini, e Edelvânia em troca de dinheiro, para comprar um apartamento. Ainda segundo a polícia, Boldrini também teve participação na morte fornecendo o medicamento controlado em uma receita assinada por ele, na cor azul. Já Evandro se tornou o quarto réu do caso, pela suspeita de ter ajudado a fazer a cova onde o corpo do menino foi enterrado.