Contudo, para o promotor de acusação, Eugênio Paes Amorim, o depoimento de Ranolfo acabou sendo decisivo para endossar a versão do MP. "Ele inclusive admitiu, na sessão, que teve presunções ao longo da investigação policial, e ainda confirmou que, realmente, houve pressa nas apurações", informou Amorim.
Ao sair da audiência, fechada à imprensa e possivelmente a última destinada a ouvir testemunhas, Ranolfo preferiu não comentar a avaliação do promotor e teceu poucas palavras. "Foi um interrogatório muito exaustivo, e falei o que sei sobre os fatos, nada mais do que isso", disse o delegado. Devido às três horas de depoimento do chefe da polícia gaúcha, outras testemunhas de defesa arroladas foram obrigadas a aguardar o chamado para a sessão, que deve se estender até a meia-noite, e pode prosseguir em outra data. Entre elas, está o ex-senador e radialista Sérgio Zambiasi (PTB), que informalmente, disse à reportagem da rádio Guaíba o que acha do crime: para ele, a conclusão da Polícia foi correta, ao apontar que Eliseu foi vítima de um latrocínio.
A investigação do MP atinge o atual presidente municipal do PTB, José Carlos Brack, que é um dos réus no processo, ao ter sido apontado como um dos mandantes do crime. Outro petebista a ser ouvido, como testemunha de defesa, é o secretário municipal de Obras e Viação, Cássio Trogildo. Na lista de políticos arroladas pela defesa dos réus, ainda está o diretor do Departamento Municipal de Habitação (Demhab) de Porto Alegre, Humberto Goulart.
Nesta quarta-feira, já prestaram depoimento 14 das 43 testemunhas da defesa. O perito Lauro José Puperi deve depor sobre as alegadas mudanças feitas em uma transcrição de escuta telefônica envolvendo Marcelo Dias Souza, apontado como um dos executores de Eliseu, e Marco Antônio Bernardes, um dos supostos mandantes da morte. A juíza Rosane Michels preside a sessão e vai continuar responsável pelo caso.
Pela manhã, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça indeferiu o pedido de afastamento da magistrada, protocolado pelo Ministério Público. Segue pendente o julgamento de uma solicitação de quebra do sigilo telefônico da juíza e do advogado Ricardo Cunha Martins, que defende outro acusado de ser o mandante da morte, Jorge Renato Hordoff de Mello, gerente da empresa de segurança Reação, que prestava serviço terceirizado à Secretaria da Saúde. Martins defendeu Rosane como advogado, em um processo no STJ, e a promotoria teme prevaricação, quando um servidor público (no caso, a juíza) deixa de fazer o trabalho da forma mais correta em troca de um interesse pessoal.
Por outro lado, a defesa dos réus encaminhou três pedidos de afastamento dos promotores, na 1ª Vara do Júri, no Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal.
A morte de Eliseu vai completar um ano em 26 de fevereiro, próximo sábado. O ex-secretário foi morto à queima-roupa, na frente da esposa e da filha pequena, quando saía de um culto, no bairro Floresta. Encerrada a última audiência do caso, a juíza decide se o processo vai ou não a júri popular.