Anunciada para a chefia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a delegada Nadine Anflor será a primeira mulher a assumir o cargo e defende que a segurança pública seja entendida como uma tarefa de toda a sociedade. Em entrevista ao programa Bom Dia, da Rádio Guaíba, nesta sexta, ela ressaltou a necessidade da maior aproximação do tema com outras áreas da esfera política. "É importante que esse assunto seja discutido dentro da educação, da saúde. O que deve existir é a transversalidade, isso o novo governo vem nos alertando para que a gente se com outras secretarias para que haja integração. Tenho certeza que teremos bons resultados com essa medida", comentou.
Natural de Getúlio Vargas e delegada da Polícia Civil desde 2004, Nadine tem marcado sua carreira pelo pioneirismo: foi titular da Delegacia Especializada no Atendimento à mulher (Deam) de Porto Alegre por mais de seis anos e a primeira coordenadora dessas especializadas no Estado. Para ela, "não se faz segurança pública sem investimento". "A Polícia Judiciária, por exemplo, é responsável pela investigação criminal, por uma qualidade na elucidação de prodecimentos. É uma parte da engrenagem do sistema de segurança pública, por isso merece um olhar diferenciado", afirmou.
A futura chefe de Polícia já definiu algumas das prioridades para sua gestão. "São muitas as demandas. Nos parece que no primeiro momento colocar os salários em dia é algo prioritário. Isso tudo será muito conversado, temos como meta colocar em dia o nosso salário, todos os policiais recebem parcelados há mais de 35 meses", disse. Contudo, ressaltou que é preciso debater com o vice-governador eleito Ranolfo Vieira Júnior, que foi nomeado como secretário de Segurança Pública, para determinar um plano de ação.
Nadine comentou ainda que um dos principais desafios será superar a falta de efetivo e viaturas. "A gente sabe que as nossas estão sucateadas, mas vamos fazer um trabalho ouvindo a população, vamos fazer uma padronização no atendimento ao cidadão", analisou. Ela ainda disse que é necessário ampliar o suporte à sociedade, mas que não é correto existir várias delegacias abertas com apenas um policial de plantão.
Ao falar sobre o fato de ser a primeira mulher no cargo, ela disse que é um grande desafio e, ao mesmo tempo, uma tarefa que lhe dá orgulho. Nadine ressaltou ainda a forte presença feminina na Polícia Civil, destacando que ela soma 37% do efetivo. "Logo seremos 51%", projetou.
Segurança é um dever de toda sociedade, diz nova chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul
Delegada Nadine Anflor afirma que questão deve ser entendida como uma tarefa comunitária