No último dia de compromisso da comitiva gaúcha que visita presídios de Parceria Público-Privada na Inglaterra, a realidade conhecida foi a de uma penitenciária feminina: a HMP Bronzefield, em Ashford. O local tem capacidade para abrigar 527 apenadas, mas, atualmente, conta com 450. Elas são atendidas por 400 funcionários.
Para ingressar na penitenciária, o visitante precisa ser fotografado de perfil e de frente, registrar as digitais dos dois dedos indicadores, passar por uma revista em sala isolada - feita por uma funcionária - e ainda pode ser “farejado” por algum cão. O procedimento padrão é aplicado a todos os visitantes. A regra é ter controle total. Cada porta que é aberta por um funcionário deve ser fechada após a passagem do grupo. Se uma porta não é bem trancada, isso pode resultar em penalidade para a empresa privada que administra a casa.
Três funcionários do Governo atuam diariamente no local, controlando normas como essa. Cada regra descumprida (incluindo o não fechamento correto das portas) pode implicar em multas de até 10 mil libras (cerca de R$ 30 mil). Um dos diretores do presídio, Scott Davies, explica que entre as 450 presas, 2/3 sofreram algum tipo de violência doméstica; 1/3 são vítimas de abuso sexual e cerca de 70% enfrentam problemas com drogas. O número de estrangeiras varia de 30% a 35% do total de detentas - a maior parte é proveniente do continente africano e da Europa Oriental.
Diferente do sistema masculino, que é dividido em categorias (A, B, C e D) para o nível de periculosidade do preso, nas unidades femininas não há esse tipo de distinção. Dentro de Bronzefield, há detentas que cumprem pena por roubo, tráfico de drogas, furto, falsificação de documentos e, também, homicídios. Cinco presas que hoje são consideradas de alta periculosidade em Bronzefield ficam no setor de segregação – separadas das demais devido ao perigo que representam. Ainda assim, precisam ser preparadas para se reintegrar o grupo.
Em um prédio separado, fica um espaço destinado a 12 detentas com filhos. Conforme o administrador da unidade, para ter permissão de ficar com os filhos dentro da penitenciária, as apenadas recebem acompanhamento durante toda a gravidez e são avaliadas quanto à capacidade de tomar conta das crianças. Poucas recebem esse benefício. A maior parte já é separada dos filhos no hospital. A mãe retorna para a penitenciária e os bebês ficam sob supervisão da assistência social. Aquelas às quais é permitido ficar com os filhos tem o beneficio concedido por, no máximo, 18 meses. É a única ala de Bronzefield em que as apenadas podem circular livremente.
Uma ideia que pode chegar logo ao território gaúcho
Entre tantos conceitos de tecnologia e segurança, algumas ideias simples podem começar a sair do papel no Rio Grande do Sul. O Comandante Geral da Brigada Militar, Coronel João Carlos Trindade, já solicitou um estudo sobre a viabilidade de instalar na Penitenciária de Caxias do Sul um sistema de segurança inteligente – que dispensa a existência do guarda externo. “Queremos ver se é possível, a exemplo do que observamos na Inglaterra, instalar câmeras, alarmes e sensores de presença nos muros que cercam a penitenciária. Se isso for viável em Caxias e der certo, a ideia pode ser estendida a outras unidades e este é um investimento inteligente que pode levar para outras funções 751 policiais militares que hoje são empregados exclusivamente para fazer a guarda externa dos presídios”, garante o Comandante.
Depois de encerrar os compromissos na Inglaterra, a Comitiva segue sua agenda durante a sexta-feira, sábado e domingo na Espanha, onde serão visitadas mais duas unidades prisionais.
Segurança de presídio britânico pode ser importada para Caxias
Presídio feminino em Ashford foi o destino da terceira visita de comitiva gaúcha na Europa