Polícia

Segurança repensa ações após protestos em Porto Alegre

Secretário Airton Michels destacou troca de informações entre BM e Polícia Civil

Manifestante entrega flor durante protesto em Porto Alegre
Manifestante entrega flor durante protesto em Porto Alegre Foto : Mauro Schaeffer
As manifestações que tomaram as ruas de todo o Brasil acabaram forçando autoridades da área da Segurança Pública a se reciclar para tentar entender os grupos que protestavam. De uma manifestação para outra, especialistas afirmam estar aprendendo e tornando mais ágil o atendimento das ocorrências. Integrantes de movimentos, no entanto, criticam a ação dos policiais. Eles consideram a atuação da Brigada Militar (BM) desproporcional ao que as pessoas estavam fazendo e se dizem preocupados com os rumos que a situação possa tomar.

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De acordo com o secretário estadual da Segurança Pública, Airton Michels, o Rio Grande do Sul não está distante do contexto nacional, onde protestos ocorrem quase todos os dias. Michels afirmou que, para compreender essa nova realidade, as polícias estão fazendo uma troca de informações. "Estamos tentando compreender esses movimentos. Mas o aspecto difuso dentro desses grupos torna difícil o diálogo", disse.

O secretário reforçou que a BM está aperfeiçoando as ações de Segurança. Como exemplo citou distribuição de 10 mil informativos pelos policiais militares, mostrando o real papel da instituição. "Considero que as polícias fizeram um ótimo trabalho", afirmou. "Tínhamos de eleger prioridades e optamos pela vida das pessoas", acrescentou.

Críticas

O coordenador-geral do diretório Acadêmico da Ufrgs, Matheus Gomes, criticou a ação dos policiais. Lembrou que na quinta-feira a passeata vinha pacificamente pela avenida João Pessoa e, ao entrar na Ipiranga, foi impedida, sendo lançadas bombas de gás lacrimogêneo. "As ações ocorrem depois desse tipo de atitude", disse Gomes, da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres. "Não havia razão para que bombas fossem disparadas", afirmou.

Gomes ressaltou que o envolvimento do Movimento Anarquista não tem ligação direta com os atos de violência. Lembrou que o Anarquismo é uma corrente político-ideológica que existe há muito tempo, não sendo criminosa. O Bloco de Lutas, disse, formado por várias correntes, não orienta ações violentas. Segundo ele, essas são perpetradas por pessoas que não são conhecidas do movimento ou de infiltrados. "Há um processo de criminalização dos movimentos sociais", acusou. "O número de pessoas que participa das manifestações cresce a cada dia e, mesmo assim, os governos mostram não ter capacidade de entender as demandas", completou.

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