Entidades de classe lamentaram a morte do policial civil Daniel Abreu Mendes, 40 anos, assassinado nesta terça-feira durante uma operação em Butiá, na Região Carbonífera. O agente foi morto a tiros enquanto cumpria um mandado de busca e apreensão. Dois criminosos foram detidos.
O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do RS (Ugeirm), divulgou um comunicado de pesar em que também alerta para os procedimentos adotados em operações. O texto aponta que o modelo atual de ofensivas gera exaustão e coloca vidas em risco.
"Essa tragédia exige uma mudança de protocolo por esses organismos que são responsáveis pela vida dos policiais. Não é uma simples coincidência que quase todas as mortes de policiais civis nos últimos anos, tenham acontecido durante essas operações.
"Para um policial civil, sair para realizar uma dessas operações, tem significado um verdadeiro risco à sua vida. Talvez os governantes nunca tenham experimentado a sensação de sair para realizar o seu trabalho e não saber se vai voltar para rever a sua família. Se soubessem o que é isso, certamente não tratariam as medidas propostas pelo sindicato com o desdém com que tem tratado”, disse o vice-presidente do Ugeirm, Fabio Castro.
Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep) também manifestou pesar e alertou para a fragilidade dos agentes em ações. O texto da entidade, diz que Daniel foi atingido na lateral do tronco e no pescoço, onde não há proteção. No momento em que foi acertado pelos tiros de um traficante, Daniel estava acompanhado de outros quatro colegas.
“Representando todas as delegadas e delegados de polícia do RS, enviamos nossas condolências à família e amigos, bem como desejamos força e serenidade neste momento delicado. A dedicação de Daniel à segurança pública será sempre lembrada com honra”, diz o texto assinado pelo delegado Guilherme Wondracek, presidente da Asdep.
Natural de Brasília, Daniel atuava na PC desde 2023, e atualmente trabalhava como escrivão na Delegacia de Guaíba. Ele deixa esposa e uma filha.
De acordo com a Polícia Civil, o agente chegou a ser socorrido após os disparos, mas não resistiu aos ferimentos. Outros quatro policiais que o acompanhavam não ficaram feridos.
A diligência acontecia na casa de uma mulher. Ela seria o alvo da ação. O filho dela, um adolescente de 17 anos, teria efetuado os tiros com uma pistola calibre 9 milímetros durante o cumprimento da ordem judicial.
O atirador seria integrante de uma facção criminosa. Ele foi apreendido. A mãe dele, presa.
Em nota, o governo do Estado e a Secretaria da Segurança Pública lamentaram a morte do agente. A Polícia Civil também divulgou um comunicado de pesar em que presta solidariedade para a família e amigos de Daniel.
"Nesse momento de grande tristeza para toda a Polícia Civil, o Chefe de Polícia, Delegado Fernando Antônio Sodré de Oliveira e todos policiais civis, solidarizam-se com os familiares, amigos e colegas, rogando a Deus que conforte a todos neste momento de infinita dor. Ao Escrivão Daniel, fica o nosso reconhecimento pela sua dedicação à Polícia Civil do RS”, diz a instituição.