Polícia

Servidores da segurança protestam contra medidas do governo Temer

Manifestantes criticou postura "contra os servidores públicos"

Policiais federais denunciaram desmanche da segurança pública
Policiais federais denunciaram desmanche da segurança pública Foto : Álvaro Grohmann / Especial / CP
Um protesto dos servidores federais e estaduais da área da segurança pública foi promovido na manhã desta sexta-feira em frente da Superintendência da Polícia Federal, na avenida Ipiranga, no bairro Azenha, em Porto Alegre. O ato público teve como objetivo denunciar as medidas do presidente da República Michel Temer. A manifestação reuniu representantes das categorias da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Superintendência dos Serviços Penitenciários, Instituto Geral de Perícia e Receita Federal.

A iniciativa foi do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul. O presidente da entidade, Ubiratan Antunes Sanderson, denunciou que existe “uma trama e um complô do atual governo federal que está desenvolvendo contra o servidor público, fazendo com que a população tenha a certeza que o culpado pela quebradeira e o rombo das contas públicas são os servidores públicos”. Segundo ele, a farra com o uso do dinheiro público é que seria a origem da atual situação do país.

“Agora foi anunciado um pacote que vai congelar os salários até 2020 dos policiais federais, vai cortar orçamento da instituição e vai aumentar a alíquota previdenciária, ao ponto de fazer com que a categoria se desmotive e pare de trabalhar”, observou. No entanto, o dirigente disse que a reação dos policiais federais será o inverso. “Vamos trabalhar cada vez mais para ajudar o país do mar de lama, sobretudo da corrupção”, assegurou.

Representando os policiais civis, o presidente da Ugeirm Sindicato, Isaac Ortiz, participou da manifestação e apontou um alinhamento entre as condutas e propostas dos governos federal e estadual. “Há um desmonte e descaso na segurança pública”, constatou, acrescentando que os salários dos agentes está atrasado e a criminalidade tem avançado no RS. “As delegacias continuam abarrotadas de presos”, lembrou. Ele adiantou que as entidades de classe da segurança pública estadual estão discutindo uma grande mobilização para o futuro.

Já o presidente da Amapergs Sindicato, Flávio Berneira, que defende os agentes penitenciários estaduais, as dificuldades cada vez mais são as mesmas aos servidores federais e estaduais. “Apesar do desânimo, os servidores trabalham com profissionalismo apesar do parcelamento salarial sem fim”, avaliou.

Em nota oficial, as entidades de classe estaduais e federais da segurança pública reafirmou que “a falta de políticas sérias e comprometidas com o interesse público são os verdadeiros responsáveis pelo rombo nas contas públicas, e não os policiais, profissionais de carreira que todos os dias dão o sangue em nome da nação”.

De acordo coma nota oficial, “num país tomado pela ilicitude, aumentar receitas às custas do povo significará potencializar ainda mais os esquemas de propinagem e corrupção” e “cortar operações policiais, afetando até mesmo a Lava Jato, que já identificou mais de R$ 38 bilhões em desvios, expõe sim a verdadeira intenção das pretensas reformas: “estancar a sangria”.