De acordo com a jornalista Elaine Tavares, pesquisadora do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina, a situação já se desenhava há algum tempo. Há vários meses, salienta Elaine, eram feitas denúncias de tortura e violência contra detentos da penitenciária de São Pedro de Alcântara. “As famílias estão na frente da penitenciária, com faixas”, disse. “Elas querem saber como estão os seus familiares (detentos)” ressaltou, lembrando que o Ministério Público catarinense fez uma vistoria na terça-feira.
A onda de violência no estado vizinho começou após o assassinato da mulher do diretor da penitenciária. As autoridades tomaram como uma afronta e começaram a reprimir os pontos de venda de drogas.
Quanto aos atentados em si, Elaine ressalta que eles estão ocorrendo nas comunidade mais distantes, no norte da ilha. No Estreito e em áreas centrais ainda não ocorreram. Ela lembrou que, na terça, tomou o ônibus e os comentários só giravam em torno disso, transparecendo uma sensação de insegurança muito grande. “As pessoas estão temerosas, principalmente quem tem que tomar ônibus à noite”, contou. “Já havia o medo normal em ficar nas paradas, pois o transporte público aqui não é lá essas coisas, imagina agora com esta onda de violência”, comentou.
No entanto, a violência, até o momento, está restrita a veículos. Pelos relatos, os criminosos têm tirado os passageiros dos coletivos para depois atear fogo. “É uma clima de apreensão, pois ninguém esperava ver Floripa envolvida nesse tipo de coisa”, analisou a jornalista. “Não imaginávamos que aqui ocorreria o mesmo que em São Paulo.”