Termo de compromisso firmado na tarde desta quarta-feira entre o proprietário da casa noturna Roseplace e a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) permitiu a reabertura do estabelecimento, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, por um período de 30 dias. Nesse intervalo, o estabelecimento será monitorado pelo órgão e pela Brigada Militar. O local foi fechado, no início de junho, após o assassinato de Wagner Boeira Cardoso, 27 anos, na saída da danceteria.
O titular da Smic, Valter Nagelstein, explicou que após a análise de relatórios de ocorrências nos arredores do Roseplace, fornecidos pelas polícias Civil e Militar, a secretaria entendeu ser possível que a boate retome as atividades. Ele lembrou que o Roseplace foi interditado, apesar de estar com todos os documentos regulares, com o objetivo de garantir a segurança pública.
Nagelstein informou, ainda, que a boate precisará fazer um estudo de viabilidade urbana, exigido nos alvarás mais recentes. Acrescentou que, de modo geral, os proprietários de casas noturnas devem preocupar-se não apenas com o próprio negócio, mas também com a segurança no entorno.
Em 15 de junho, a Delegacia de Homicídios concluiu o inquérito do caso e indiciou dois policiais militares e um segurança pela morte do auxiliar administrativo. O crime ocorreu na rua Doutor Timóteo, após uma confusão na saída da danceteria, localizada na rua 24 de Outubro. Boeira e um amigo teriam sido perseguidos e, cerca de 200 metros do estabelecimento, alcançados e agredidos. O jovem foi atingido com um tiro na cabeça e morreu na hora. A outra vítima ficou com o rosto desfigurado.
De acordo com a investigação, um soldado foi autor do disparo que matou a vítima. A polícia não tem provas de que ele era segurança da boate, mas sabe que já trabalhou para a casa. Segundo o delegado Arthur Raldi, uma testemunha apontou ter visto o policial descer de um táxi e atirar. O laudo da necropsia indicou que o tiro foi efetuado quando ele estava muito próximo à vítima. Para o policial civil, essas duas provas derrubam o argumento apresentado pelo PM que alegou um acidente. Ele foi indiciado por homicídio doloso (com intenção de matar).
O inquérito também apontou que outro soldado de 39 anos, indiciado por tentativa de homicídio, é contratado de uma empresa registrada no nome da mulher dele e que presta serviços de segurança à boate Roseplace. Também foi indiciado por tentativa de homicídio outro segurança da casa noturna. Em relação ao dono da boate, não foi identificada conduta criminosa, explicou o delegado Raldi.
Smic permite reabertura monitorada da boate em Porto Alegre
Casa noturna no bairro Moinhos de Vento foi fechada após o assassinato de um cliente no mês passado