Polícia

Sobrevivente de dupla execução em Maquiné passa madrugada sem proteção da polícia

Vítima foi atingida por um disparo nas costas e se recupera em hospital de Capão da Canoa

Mãe e filho foram assassinados a tiros
Mãe e filho foram assassinados a tiros Foto : Cristiano Estrela
O único sobrevivente da tragédia familiar registrada na noite de sexta-feira em Maquiné passou a noite sem proteção policial no hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, onde se recupera de um disparo nas costas. Ildo Cassoli Gomes é considerado testemunha-chave do crime que vitimou sua mãe Maria Eva Cassoli, 50 anos, e seu irmão Silvano Cassoli Gomes, 25. A polícia espera identificar o autor do duplo assassinato a partir do relato de Gomes.

“Temos um duplo homicídio e um sobrevivente, que pode ajudar a elucidar o caso. Vamos ouvi-lo assim que for possível”, afirmou o delegado Paulo da Silva Perez, titular do inquérito policial.

Segundo um funcionário da instituição de saúde ouvido pela reportagem da Rádio Guaíba, policiais civis estiveram várias vezes nesse sábado no hospital, mas ninguém acompanhou a vítima durante a madrugada. Na Brigada Militar de Capão da Canoa, não há registro de que algum policial tenha ficado com a responsabilidade de zelar pela vida do sobrevivente. Ildo Cassoli Gomes será submetido a novos exames neste domingo.

Crime

Estaria perto das 19h de sexta-feira quando o primeiro estampido foi ouvido nas proximidades da residência, situada 500 metros abaixo da Cascata do Garapiá, local bastante visitado por campistas e praticantes de esportes de aventura. Um homem com o rosto coberto e armado com espingarda, cujo calibre ainda é desconhecido, chegou no local e atirou contra a nuca de Maria Eva.

Por volta das 21h, Silvano decidiu visitar a mãe. Ao chegar na casa, teria sido surpreendido pelo atirador e também recebeu ao menos um disparo na cabeça. A sequência de estampidos na proximidade da propriedade teria despertado preocupação em Ildo, que teria repetido o ato do irmão.

O encontro com o suposto assassino teria ocorrido quando ele deixava a cena dos crimes. Ildo teria percebido a situação e fugiu. Mesmo assim, foi alvejado pelas costas. Ele conseguiu refugiar-se numa propriedade vizinha, onde esperou pelo socorro da Brigada Militar.

Para a polícia, os crimes podem ser resultado de uma desavença. “Não descartamos a possibilidade de um desacerto dentro da família”, avaliou o delegado Perez. Conforme o policial, a ausência de evidências de luta somada ao acesso do atirador à rotina na casa indicam a autoria para pessoa conhecida.

Esse fato não representa a única morte trágica para a família Cassoli Gomes. Há quase 15 anos, Pedro, marido de Maria Eva e pai das outras vítimas, foi morto na Linha Garapiá. O corpo foi encontrado com sinais de violência por objeto contundente na cabeça. O autor do homicídio nunca foi descoberto.

Além dos depoimentos que devem ser colhidos a partir desta semana, a polícia espera pelo laudo do Instituto de Criminalística, que pode confirmar trajetória, distância e calibre dos tiros.

Também podem determinar se houve resistência por parte das vítimas fatais, que tiveram as mãos preservadas pela Perícia com sacos plásticos para busca de evidências de contato humano sob as unhas e de pólvora sobre a pele.
Um dos fatos que intrigam é o de que a comunicação dos crimes aconteceu somente pela manhã de sábado, às 8h30min.

Samuel Vettori e Luiz Dibe

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