Familiares herdaram o comando da facção chefiada por Adalberto Arruda Hoff, o Beto Fanho. Morto em maio durante troca de tiros contra forças policiais em Gravataí, o traficante liderava uma quadrilha com base na Vila São Borja, no bairro Sarandi, zona Norte de Porto Alegre. Os parentes dele foram alvo da Operação Galápagos, deflagrada nesta quinta-feira, com 150 policiais civis do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), apoiados pela Brigada Militar. Até o momento, 20 pessoas foram presas.
A investigação aponta que os presos integravam um grupo chamado Tropa do Pinguim, responsável por um esquema de tráfico de armas e drogas em 12 municípios do RS e em SC. Foram apreendidos 20 armas de fogo, incluindo pistolas de uso restrito, um fuzil e uma submetralhadora, além de oito veículos de luxo. Os policiais também localizaram equipamentos desviados de hospitais, que seriam revendidos pela quadrilha.
A morte de Beto Fanho serviu de estopim para o ataque a tiros que matou cinco pessoas e feriu outras cinco, no dia 14 de maio. A chacina na rua B seria uma tentativa de retomar o controle do tráfico orquestrada por traficantes haviam sido expulsos por ele da Vila Borja. Para se manter no comando, a família do ex-líder se aliou a uma facção com base no Vale do Sinos. Em outras palavras, cederam biqueiras em troca de proteção.
O principal alvo da ofensiva foi um homem de primeiro nome Eduardo, conhecido como Dudu, preso em Criciúma (SC). Também no estado catarinense, em Bombinhas, um apartamento usado por ele foi sequestrado judicialmente. O imóvel é avaliado em R$ 1 milhão. "Ele foi preso por policiais gaúchos, com o apoio da Polícia Civil catarinense. A integração e a troca de informações com os policiais do estado vizinho foram fundamentais para o êxito da ação", o diretor do Denarc, delegado Carlos Wendt.
Apontado como atual chefe da facção, Dudu é filho do traficante Paulo Augusto Arruda Hoff, o Nenê, assassinado a tiros por rivais em julho do ano passado. A mãe dele também é investigada. A Justiça negou o pedido de prisão preventiva dela, apesar da mulher já ter sido presa em flagrante duas vezes.
Dudu é sobrinho de Beto Fanho. Ele estava no tiroteio que resultou na morte do tio, mas conseguiu fugir disparando com uma pistola glock contra as forças de segurança.
A enteada e o genro de Beto Fanho foram presos no bairro Sarandi, em Porto Alegre. Eles são apontados como gerentes do tráfico na Vila São Borja.
Dois homens com licença de colecionador, atirador desportivo e caçador (Cac) foram presos, um em Porto Alegre e outro em Canoas. Eles fornecia armas para a facção, que as revendiam por até R$ 70 mil cada. "Apreendemos um fuzil idêntico ao usado pelo Beto Fanho no tiroteio em Gravataí. Ocorre que a arma do traficante estava com numeração raspada e o fuzil do Cac, não", declarou o delegado Rafael Liedtke, da 2° Delegacia de Repressão ao Narcotráfico, que coordenou a operação.
Ainda em Canoas foi presa temporariamente a dona de uma loja de móveis de luxo. Ela é sócia do principal alvo da operação e admitiu ter recebido R$ 350 mil dos traficantes.
Sobrinho, enteada e genro de traficante morto em Gravataí são presos em ação interestadual do Denarc
Familiares do traficante Beto Fanho geriam tráfico de armas e drogas em dois estados