O jovem está sob medida protetiva internado em um abrigo público. Conforme a conselheira tutelar Simone Ventura, ele passa bem. Simone evitou dar mais detalhes em função do sigilo exigido para o caso. O futuro dele vai ser decidido pelo poder judiciário.
O menino porta uma deficiência que compromete a coordenação motora. Ele se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas, que também segura o pescoço do adolescente. Não há, segundo a delegada Graciela Foresti, nenhum sinal aparente de que o garoto tenha déficit intelectual.
Caso chegou à polícia após desconfiança de professores
O caso chegou à 3ª Delegacia de Polícia da cidade há dez dias, depois que professores desconfiaram do comportamento dele em sala de aula. “Ele defecou nas fraldas e ficou desesperado. Disse que não poderia ir pra casa porque a mãe iria matá-lo”, informou a delegada. O nome da escola da criança não é divulgado.
A delegada recebeu relatos de que a mãe dava banhos gelados no filho durante o inverno e o deixava sem comida por horas. “Além de socos, tapas no rosto e episódios de estrangulamento, ela o afogava com a mangueira do chuveiro para que não gritasse ou pedisse socorro”, contou Graciela.
Até os sete anos, o menino era cuidado pela irmã. “Ela confirmou que ele chegou a ser obrigado a ingerir fezes”, complementou a policial. A adolescente então casou-se e deixou a residência da família. A partir daí, a mãe assumiu os cuidados. A avó da criança confirmou os rituais de violência à polícia.
Suspeita nega acusações
A mãe segue negando as acusações, confirmadas pelos familiares do garoto. À polícia, ela reconheceu ter dificuldade para lidar com o menino deficiente. Admitiu apenas que gritava com ele e o xingava porque, na avaliação dela, o filho fazia provocações. O garoto não conhece o pai biológico, acrescentou a delegada.
Sendo condenada pelo crime de tortura, pelo qual vai ser indiciada, a mulher pode pegar de quatro a 11 anos de prisão. Segundo a delegada, o garoto comemorou estar longe da mãe.