Polícia

Suspeita de torturar filho deficiente vai para cela isolada

Medida foi tomada para preservar integridade física da suspeita, devido à revolta de outras presas

Suspeita de torturar filho deficiente vai para cela isolada
Suspeita de torturar filho deficiente vai para cela isolada Foto : Divulgação / Polícia Civil / CP
A mulher suspeita de torturar o filho portador de necessidades especiais de 13 anos, presa preventivamente nesta manhã, em Alvorada, vai ficar em uma cela isolada na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre. De acordo com a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), o procedimento é necessário para garantir a integridade física da mulher, em função da revolta de outras detidas.

O jovem está sob medida protetiva internado em um abrigo público. Conforme a conselheira tutelar Simone Ventura, ele passa bem. Simone evitou dar mais detalhes em função do sigilo exigido para o caso. O futuro dele vai ser decidido pelo poder judiciário.

O menino porta uma deficiência que compromete a coordenação motora. Ele se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas, que também segura o pescoço do adolescente. Não há, segundo a delegada Graciela Foresti, nenhum sinal aparente de que o garoto tenha déficit intelectual.

Caso chegou à polícia após desconfiança de professores

O caso chegou à 3ª Delegacia de Polícia da cidade há dez dias, depois que professores desconfiaram do comportamento dele em sala de aula. “Ele defecou nas fraldas e ficou desesperado. Disse que não poderia ir pra casa porque a mãe iria matá-lo”, informou a delegada. O nome da escola da criança não é divulgado.

A delegada recebeu relatos de que a mãe dava banhos gelados no filho durante o inverno e o deixava sem comida por horas. “Além de socos, tapas no rosto e episódios de estrangulamento, ela o afogava com a mangueira do chuveiro para que não gritasse ou pedisse socorro”, contou Graciela.

Até os sete anos, o menino era cuidado pela irmã. “Ela confirmou que ele chegou a ser obrigado a ingerir fezes”, complementou a policial. A adolescente então casou-se e deixou a residência da família. A partir daí, a mãe assumiu os cuidados. A avó da criança confirmou os rituais de violência à polícia.

Suspeita nega acusações

A mãe segue negando as acusações, confirmadas pelos familiares do garoto. À polícia, ela reconheceu ter dificuldade para lidar com o menino deficiente. Admitiu apenas que gritava com ele e o xingava porque, na avaliação dela, o filho fazia provocações. O garoto não conhece o pai biológico, acrescentou a delegada.

Sendo condenada pelo crime de tortura, pelo qual vai ser indiciada, a mulher pode pegar de quatro a 11 anos de prisão. Segundo a delegada, o garoto comemorou estar longe da mãe.

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