Golpistas que tentaram surrupiar a herança deixada por uma mulher em Pelotas, no Sul gaúcho, são alvo da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos e Defraudações (DRCID) nesta quinta-feira. Um dos suspeitos foi detido no Rio Grande do Norte, em diligências da chamada Operação Falsus Heres III, e outro segue foragido. A estimativa é que eles tenham desviado ao menos parte de um valor de R$ 9 milhões.
O homem que foi preso tem 44 anos e mora em Natal. Ele é apontado como o mentor do golpe. A ficha criminal dele soma antecedentes por fraudes de documentação junto a cartórios, sempre com objetivo de receber heranças de forma indevida.
Outro investigado, natural da Paraíba, no Nordeste, está foragido. Ele tem 55 anos e teria figurado como falso herdeiro para receber a quantia em solo gaúcho.
A fortuna pertencia a uma mulher de 84 anos, que faleceu em julho de 2020, em Pelotas. No início deste ano, os sobrinhos dela foram providenciar a documentação do inventário e descobriram que um paraibano havia se apresentado como familiar da idosa. Os verdadeiros herdeiros moram em Porto Alegre e nunca tinham ouvido falar do homem. Ao desconfiar da fraude, registraram um boletim de ocorrência.
O autor do golpe se apresentou na Justiça como suposto irmão da idosa. Ele conseguiu obter autorização judicial para usufruir de bens herdados. O homem chegou a transferir imóveis avaliados em R$ 1 milhão para seu nome, mas os bens foram bloqueados após um pedido da Polícia Civil.
De acordo com o delegado João Vitor Herédia, que coordenou a ação, a fraude teve como base uma certidão de nascimento adulterada. A investigação aponta que o suspeito falsificou um registro em que incluiu dados do pai da idosa, com o objetivo de se passar por irmão dela.
"O suspeito fraudou uma documentação em que afirmava ser irmão da idosa por parte de pai. Ele criou uma certidão de nascimento e inseriu ali dados de paternidade semelhantes aos dela. Como ela não tinha filhos, o criminoso conseguiu realizar uma farsa extrajudicial em que se passava por herdeiro”, pontuou o delegado João Vitor Herédia.
Ainda segundo o delegado, a apuração começou após a denúncia das vítimas e contou com informações da Polícia Federal, através do Instituto Nacional de Identificação, e da Polícia Civil do Rio Grande do Norte. As diligências prosseguem para identificar se há outros suspeitos envolvidos no esquema.
"Apreendemos documentos e aparelhos celulares, que serão analisados a fim de corroborar a convicção de autoria do crime. Essa operação ratificou nosso compromisso de desenvolver investigações criminais qualificadas, notadamente contra a atuação de organizações ou associações criminosas organizadas, objetivando a máxima responsabilização de todos os envolvidos”, concluiu João Vitor Herédia.