Polícia

Suspeito de esquartejar mulher e deixar corpo em mala é enviado a presídio de Charqueadas

Ricardo Jardim está isolado em cela de triagem; vítima foi identificada na última sexta-feira como Brasilia Costa

Ricardo Jardim foi transferido à Penitenciária Estadual de Charqueadas II
Ricardo Jardim foi transferido à Penitenciária Estadual de Charqueadas II Foto : Polícia Civil / CP

O publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos, está recolhido no Complexo Prisional da Região Carbonífera. Ele é apontado como suspeito de esquartejar uma mulher e deixar parte do corpo dela dentro de uma mala na rodoviária de Porto Alegre. Conforme antecipado na última sexta-feira, a vítima foi identificada como Brasilia Costa, de 65 anos.

Jardim foi transferido à Penitenciária Estadual de Charqueadas II nesse domingo. Antes disso, ficou por três dias no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), onde passou por audiência de custódia.

O detento permanece isolado em uma cela na ala de triagem desde que chegou na unidade. Ele deverá passar um período mínimo de dez dias ali, segundo o procedimento padrão.

A vítima morreu no dia 9 de agosto. Quatro dias depois, teve pernas e braços deixados em um saco de lixo no bairro Santo Antônio, na zona Leste. Em 20 de agosto, a mala com o tronco foi deixada no guarda-volumes da rodoviária, em nome e endereço de uma pessoa que trabalha em um escritório de contabilidade, em Canoas, mas que nada tem a ver com o crime.

Pernas localizadas no final de semana

Uma perna humana foi encontrada na manhã de sábado na orla do bairro Ipanema, na zona Sul de Porto Alegre. Os restos mortais eram de uma mulher. O membro estava na areia, próximo da água, sendo encontrado por um trabalhador do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU).

Além de guarnições do 1º BPM, equipes da Polícia Civil e do Instituto-Geral de Perícias (IGP) também atenderam a ocorrência. É consenso entre estas que o membro possa ser da mesma mulher que foi esquartejada e teve o corpo deixado em uma mala na rodoviária de Porto Alegre.

Isso porque o tipo de corte é similar aos outros restos mortais encontrados no bairro Santo Antônio, na zona Leste, no dia 13 de agosto. Além disso, os investigadores já trabalhavam com a possibilidade de partes do corpo terem sido descartadas na zona Sul.

Um dia depois, no domingo, uma segunda perna foi localizada, na Orla do Guaíba, por um pescador. As autoridades também acreditam que esse membro seja da vítima, uma vez que estava envolto em sacos plásticos e vestes semelhantes aos restos mortais encontrados na rodoviária e no bairro Santo Antônio.

Quem é a vítima

Brasilia Costa, de 65 anos, trabalhava como manicure e cabelereira. Ela era natural de Arroio Grande, no Sul do Estado. O irmão dela é sargento da Brigada Militar, da reserva.

A mulher era vizinha do criminoso, que residia em uma pousada no bairro São Geraldo. Os dois mantinham relacionamento amoroso há seis meses.

Segundo a investigação, após o crime, o homem utilizou o celular da namorada para mandar mensagens aos parentes dela e fingia ser a mulher. Por isso, o desaparecimento não foi registrado.

Motivação financeira

O delegado interino da 2ª DHPP, André Freitas, afirmou que o preso estava foragido desde abril do ano passado. Nesse intervalo de tempo, era sustentado com a ajuda da namorada, apesar de ter formação como publicitário. A suspeita é que o crime tenha sido cometido por motivação financeira.

"Acreditamos que o criminoso agiu com motivações financeiras. Ele estava foragido, ou seja, em uma situação complicada para ganhar dinheiro. Sabemos que a mulher fez transferência de valores ao companheiro durante todo o relacionamento. Além disso, depois do crime, o homem ainda realizou saques bancários com os cartões da vítima”, destacou Freitas.

Filmado na rodoviária

De acordo com a investigação, após deixar o corpo na rodoviária, onde foi gravado por câmeras de segurança, o criminoso se mudou para outra pousada, no bairro São João. Acabou sendo preso ali, no dia 4 de setembro.

“Foi o crime mais difícil que já investiguei. Analisamos mais de 34 câmeras de segurança até rastrear o suspeito. Ele se expôs de propósito ao ir na rodoviária. Além disso, fez denúncias falsas. Tudo para afrontar as autoridades”, disse o diretor do Departamento de Homicídios (DHPP), delegado Mario Souza.

Ocorre que, em determinado momento, o criminoso adquiriu bebidas alcoólicas em um comércio. Ali, ele tirou a máscara e teve o rosto captado por uma câmera de monitoramento.

“Tínhamos o rosto dele, mas não sabíamos a identidade. O nome foi confirmado por pessoas que o conheciam na pousada”, destacou Souza.

Condenação por morte de mãe

O mesmo preso foi condenado, em 2018, a 28 anos de reclusão por matar e concretar a própria mãe, em 2015, no bairro Mont’Serrat. Conforme o Ministério Público, a motivação desse crime foi, também, econômica.

"A vítima usufruía do seguro de vida do falecido marido, no valor de R$ 400 mil, do qual o filho se apossou após o crime. Ela foi morta com 13 facadas nas costas”, destacou o MP, na época dos fatos.

No julgamento, o réu confessou que ocultou o cadáver, mas negou a morte. Segundo ele, a mãe se suicidou. Jardim foi considerado culpado por três crimes: homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e meio cruel), ocultação de cadáver e posse de arma. Ele recebeu progressão de pena ao regime semiaberto em 2024. Depois, fugiu.

Veja Também