Polícia

Suspeito de estupro coletivo se entrega à polícia e nega participação

Ex-cinegrafista diz em nota que "não consegue viver fugindo, ainda mais por algo que não fez"

Um homem, de 41 anos, acusado de ter participado do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio, entregou-se na manhã desta quarta-feira à polícia. Em carta encaminhada ao perfil Jacarepaguá Notícias RJ, no Facebook, o ex-cinegrafista nega participação no estupro e pede desculpas por ter feito a foto ao lado da jovem nua.

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Na carta, ele disse que foi à boca de fumo no último domingo, pedir autorização para realizar uma matinê na Quadra do Francão, local onde ocorrem bailes funks. Estava acompanhado por outro jovem, 22 anos, outro acusado do crime e já preso. "Ao chegar a um beco, à direita, estava a casa abandonada, aberta, toda suja, fedendo a fezes e com uma mulher nua", escreveu.

De acordo com o suspeito, havia um rapaz no local, conhecido como Jefinho que teria dito: "Tem uma mulher aí que não quer ir embora, está desde o dia do baile". "Entramos os três. Ela estava deitada, nua, dormindo, muito suja, e com os cabelos embolados. Parecia uma "cracuda" ou mendiga. O outro jovem puxou o celular e começou a gravar, ela começou a se mexer e acordar. Aí paramos e fomos embora." O ex cinegrafista escreveu que "foi mais uma zoação, brincadeira" e que eles não a machucaram. O jovem deu outra versão à polícia. Contou que manteve relações sexuais com a adolescente e teria voltado à favela por estar preocupado com ela. 

Na carta encaminhada ao Jacarepaguá Notícias RJ, ele relata ainda que, na última quarta-feira, almoçava na porta de um serralheiro, quando um carro HB20 deixou uma mulher desacordada na calçada. Ele teria comprado garrafa de água e tentado fazer com que a ela despertasse. Moradores teriam dito que a jovem já havia desmaiado outras duas vezes e que seria a mesma pessoa que estava na casa conhecida como "abatedouro".

O ex-cinegrafista contou, então, que a deixou descansando em seu carro. Depois, levou-a para seu apartamento onde a deixou dormindo, com a recomendação de que não deixasse a porta aberta para que seus gatos não fugissem. "Quando voltei da rua um tempo depois, estava tudo vomitado", declarou. "Botei ela para tomar banho. Espremi xampu na cabeça dela, fechei a porta do box e a do banheiro também". Belo disse, no texto, que a jovem tomou banho sozinha.

O acusado voltou a sair do apartamento. E na rua soube que as imagens e o vídeo sobre o estupro tinham sido compartilhados. "Um amigo falou que eu estava em vários sites como bandido e estuprador", disse. "Me deu uma tremedeira. Total desespero." Ele, então, levou a jovem até a casa da família. Teria conversado com os pais e a avó da menina e pedido desculpas pelas imagens. Ele deixou seu endereço e telefone e contou ter fugido para uma cidade a "2.600 quilômetros do Rio". "Me tornei um monstro", escreveu.

O homem encerrou a carta dizendo que vai se entregar. "Não ia conseguir viver fugindo, ainda mais por algo que não fiz, não transei com ela, não fiz sexo oral com ela", afirmou. A veracidade da carta não foi confirmada pela polícia. O texto foi encaminhado ao portal pela ex-cunhada, que fotografou a tela do computador e enviou as imagens por WhatsApp.