O homem apontado como principal suspeito do feminicídio de Julia Roseli da Silva, de 45 anos, em Sobradinho, segue foragido. A Polícia Civil está concluindo os depoimentos para solicitar a prisão preventiva do ex-companheiro da vítima, segundo informou a delegada Graciela Foresti Chagas. O crime ocorreu na localidade de Linha Quinca, no interior do município, na noite de domingo.
A Brigada Militar (BM) mantém as buscas pelo suspeito. Conforme o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (23º BPM), tenente-coronel Cristiano Cuozzo Marconatto, o veículo utilizado pelo homem foi encontrado em uma madeireira nas proximidades do local do crime.
A BM recebeu a informação de que a mulher não havia comparecido ao trabalho e estava sem dar notícias desde a tarde de domingo. Por volta das 23h, policiais foram até a residência dela, onde encontraram o corpo. A vítima apresentava diversas perfurações provocadas por faca. Uma possível arma do crime, também uma faca, foi localizada sobre uma mesa no interior do imóvel.
Segundo o comandante, as equipes de segurança trabalham com a hipótese de que o ex-companheiro seja o autor do feminicídio. Informações levantadas após o crime indicam que ele não aceitava o fim do relacionamento e teria feito ameaças à mulher. A vítima também apresentava mudanças de comportamento nos últimos tempos.
Marconatto afirmou, porém, que a Brigada Militar não tinha conhecimento dessas situações antes do crime. A mulher não possuía medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. Havia um registro policial de 2023 relacionado a uma ameaça que ele teria feito contra o filho dela. O comandante ressaltou que as informações sobre as ameaças e as mudanças de comportamento chegaram às forças de segurança somente depois da morte da mulher.
Em casos semelhantes ao que ocorreu em Sobradinho, o comandante pediu que pessoas próximas comuniquem às forças policiais situações que possam indicar risco de violência. “Qualquer pessoa, parente, amigo, vizinho, empregador da vítima, qualquer pessoa que veja uma mudança de comportamento na vítima ou mesmo num possível agressor, entre em contato com a Brigada Militar ou com a Polícia Civil e informe essa situação”, orientou.
- Mulher é encontrada morta na casa do ex-companheiro em Sobradinho e RS chega a 65 feminicídios
- Motorista é preso após atropelar três pedestres e fugir sem prestar socorro em frente à Arena do Grêmio
- PRF prende motorista embriagado e sem CNH após fuga de 40 quilômetros na BR 386
Entenda o caso
Uma mulher de 45 anos foi encontrada morta na noite deste domingo na residência do ex-companheiro, na localidade de Linha Quinca, no interior de Sobradinho, no Vale do Rio Pardo. O corpo apresentava perfurações provocadas por arma branca, possivelmente uma faca.
Conforme informações da Polícia Civil, o homem apontado como suspeito do feminicídio não havia sido localizado até a última atualização, na manhã desta segunda-feira, e é procurado pelas autoridades.
A vítima havia saído de casa, no bairro Rio Branco, durante a tarde de domingo e não retornou. A ausência e a falta de notícias levaram familiares e conhecidos a iniciar buscas por conta própria, até que encontraram o corpo na residência do ex-companheiro, por volta das 22h.
A mulher, identificada como Julia Roseli da Silva, estava separada do suspeito, mas, segundo a delegada, eventualmente frequentava a residência dele. O homem é pai de um dos filhos da vítima, um adolescente de 15 anos.
A Brigada Militar (BM) foi acionada pelos familiares e comunicou o caso à Polícia Civil. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) realizou levantamentos na residência, e o corpo foi encaminhado para necropsia. A investigação é conduzida pela delegada Graciela Foresti Chagas.
A BM informou que os policiais encontraram manchas de sangue espalhadas por diferentes cômodos da residência, além de outros vestígios relacionados ao crime. Guarnições de municípios vizinhos foram mobilizadas para reforçar as buscas pelo suspeito.
Ex-companheiro já havia sido indiciado por injúria e ameaça
Segundo a delegada, as primeiras informações apuradas pela Polícia Civil indicam que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento. A vítima não possuía medidas protetivas de urgência contra ele, mas já havia procurado a polícia em outras duas ocasiões, em 2021 e 2023.
De acordo com Graciela, o homem foi indiciado nos dois inquéritos policiais instaurados a partir dessas ocorrências, por injúria e ameaça. Apesar dos registros anteriores e dos indiciamentos, não havia medida protetiva em vigor quando a mulher foi morta.
Em uma das ocorrências anteriores, registrada em novembro de 2023, a mulher relatou à Polícia Civil que mantinha um relacionamento com o suspeito havia 14 anos. Conforme o boletim, naquela noite, o homem chegou embriagado à residência e discutiu com um filho mais velho dela, de outro relacionamento, então com 20 anos.
Na ocasião, o suspeito teria exigido que o jovem saísse de casa por ter feito uma tatuagem. Ao intervir, a mulher empurrou o companheiro, que passou a chamá-la de “vagabunda” repetidas vezes.
Ainda segundo o registro, a vítima afirmou que não chegou a ser agredida ou ameaçada naquela ocasião, mas que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente. Ela informou que havia registrado apenas uma ocorrência policial, em 2021, e manifestou o desejo de representar criminalmente contra o companheiro e solicitar medidas protetivas.
Com a morte de Julia, o Rio Grande do Sul chegou a 65 feminicídios em 2026. É, também, o primeiro registrado no mês de novembro no Estado. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do crime e busca localizar o suspeito.