O principal suspeito de liderar o movimento neonazista gaúcho, de 24 anos, foi ouvido, nesta sexta-feira, pelo delegado Paulo César Jardim, da 1ª Delegacia Polícia de Porto Alegre, sobre o ataque contra um vigilante negro da estação Mercado Público da Trensurb, na área central da cidade, no dia 21 de outubro. Segundo o delegado, o jovem negou que seja líder e que esteja envolvido na agressão à vítima, que foi esfaqueada e ferida por quatro neonazistas. O acusado, que possui antecedentes criminais, foi trazido da Penitenciária Modulada de Charqueadas, onde estava recolhido desde o dia do crime.
"Ele admitiu que estava junto, mas disse que não agrediu o vigilante", revelou Paulo César Jardim, que conduz o inquérito sobre o caso. Após o ataque, o acusado e mais um cúmplice, de 21 anos, foram presos pelos policiais militares do 9º Batalhão de Polícia Militar. Outros dois neonazistas conseguiram fugir apesar das buscas. As agressões ocorreram quando um grupo, armado de faca, martelo e barra de ferro, urinava na estação da Trensurb e o vigilante pediu que se afastassem, o que provocou a reação. Depois do ataque, a vítima foi socorrida e levada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). O acusado ficou mais conhecido pela tentativa de homicídio contra três jovens judeus, em 2005, no bairro Cidade Baixa.
Paulo César Jardim faz mapeamento dos skinheads gaúchos desde 2000 e já instaurou mais de dez inquéritos e termos circunstanciados, inclusive prisões de integrantes do movimento. O delegado acredita que o grupo faça parte de uma organização nacional neonazista envolvida inclusive no assassinato de um casal no Paraná, durante uma disputa de poder, no dia 21 de abril desse ano. Na época, um jovem foi detido em Teutônia. Em maio, uma forte ação policial impediu ataques a sinagogas e à parada gay em Porto Alegre, sendo apreendido farto material de propaganda neonazista.
Suspeito de neonazismo nega que seja líder de organização
Jovem é acusado de participação em caso de agressão a vigilante