A Polícia Civil investiga um caso de suposta injúria racial envolvendo o diretor de Turismo, Desporto e Cultura de Sentinela do Sul, Airton Pedro Stein. O objetivo da investigação é saber se ele teria recusado atendimento de um socorrista negro após ser baleado no 22º Campeonato Citadino de Futsal do município, em 14 de novembro. Stein, que nega ter cometido qualquer ato racista, classificou a situação como ataque político.
De acordo com a Delegacia de Tapes, à frente da apuração, a vítima de racismo teria sido um profissional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele não quis registrar ocorrência, mas um inquérito de ofício foi aberto.
"O diretor de Esportes teria dito que não queria ser atendido por um negro. Ele perguntou se não havia uma pessoa branca para socorrê-lo. A vítima ficou muito constrangida. Várias pessoas teriam presenciado esse fato, porém, por medo de represálias, não houve registro da ocorrência. Como se trata de um crime de ação penal pública incondicionada, foi instaurado um inquérito de ofício. E se forem colhidos elementos informativos suficientes, haverá indiciamento", afirmou o delegado Luciano Rodrigues.
Ainda segundo o delegado, Stein já havia sido suspeito de outro episódio de suposto racismo, há cerca de dois anos. Esse caso foi arquivado por falta de provas.
Diretor rebate alegações de racismo
Desde o dia 18 de novembro, quando recebeu alta hospitalar, o diretor de Esportes se recupera em casa. Segue com projétil de revólver alojado na nuca. Em conversa com a reportagem, enfatizou que jamais teve comportamento racista.
"Há coisas que a gente fala que podem ser mal interpretadas, mas nunca fui racista. Basta vir na minha casa e olhar meus álbuns com fotos de família e amigos. Tenho muito respeito e admiração pela população negra, e minha história é prova disso. Estou sendo julgado de forma sumária na opinião pública. Ninguém me deu direito de defesa. Se tem vítimas nessa história, somos eu e minha família. Estamos sofrendo de forma injusta, por algo que não ocorreu", pontuou Airton Stein.
Stein adicionou que as alegações de racismo, além de serem falsas, teriam motivação política. “Todas essas acusações não passam de ataques políticos, feitos por opositores. Eles querem me tirar do cargo a todo custo, até mesmo com base em mentiras”, avaliou.
Relembre o ataque a tiros
O crime aconteceu em 14 de novembro, por volta das 21h30min, na parte externa do Ginásio de Esportes Laranjão, onde ocorria o 22º Campeonato Citadino de Futsal de Sentinela do Sul. O alvo seria um motoboy, que foi morto com quatro disparos enquanto estava em frente ao ginásio.
Acontece que um dos tiros transfixou o portão de alumínio do estabelecimento, acertando o diretor de Esportes. O atirador fugiu a pé por um matagal. Ninguém havia sido preso até o momento desta publicação.
O homem que morreu foi identificado como Kauã de Sousa Mello, de 19 anos, natural de Guaíba. Ele trabalhava como motoboy, fazendo entregas para uma lancheria em Sentinela do Sul. Tinha antecedentes como menor infrator.
A Polícia Civil investiga o caso, por meio da DP de Tapes. Não é descartado que o crime possa ter explicação no contexto do tráfico de drogas, mas o delegado titular, Luciano Rodrigues, evitou definir motivação.