Um esquema de fraude envolvendo documentação de veículos foi alvo da Polícia Civil em oito cidades gaúchas. Deflagrada na manhã desta quinta-feira, com apoio da Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS), a Operação Reprodução Indevida mirou suspeitos de realizar a emissão ilegal de 40 mil Certificados de Registros de Veículos Digital (CRVLs). Um homem foi preso em flagrante.
A ofensiva somou 80 agentes e 40 viaturas, com diligências em Porto Alegre, Viamão, Pelotas, Uruguaiana, São Vicente do Sul, Santa Bárbara do Sul, Santana do Livramento e Sentinela do Sul. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, em três empresas e nas casas dos suspeitos, além da quebra do sigilo fiscal e bancário deles.
O esquema foi descoberto a partir de uma ocorrência registrada na 1ª DP de Viamão, dando conta que sistemas do Detran foram utilizados para a reprodução indevida de 6 mil documentos no município. A apuração da denúncia ficou ao comando da 2ª Delegacia de Combate à Corrupção, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que acabou identificando cerca de 40 mil certificados emitidos ilegalmente em todo o RS.
De acordo com o delegado Augusto Zenon, que comandou a operação, são investigados quatro ex-funcionários de Centros de Registro de Veículos Automotores (CRVAs) e dois despachantes. Ele aponta que, após a emissão, os documentos eram comercializados em grupos de WhatsApp por valores que iam de R$ 15 a R$ 50 cada.
"Parte da documentação servia para esquentar e legalizar veículos clonados. Além disso, o esquema também era utilizado para repassar automóveis a terceiros, sem autorização dos proprietários”, destacou Augusto Zenon.
Ainda conforme o delegado, os suspeitos não pediam comprovação de propriedade dos automóveis, apenas solicitavam informações das placas em troca de valores via Pix. O método contraria as regras do Detran, que exige preenchimento de requerimento e a apresentação de documentos do dono do carro, ou de um procurador, antes de enviar certificados veiculares.
Os investigados vão responder por associação criminosa, falsificação de selo ou sinal Público, falsificação de documento público e particular, uso de documento falso e corrupção ativa e passiva. Até o momento, não há indícios do envolvimento de facções no esquema.
Durante as buscas em Viamão, o pai de um dos suspeitos acabou sendo detido em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Isso porque os agentes localizaram dois revólveres calibre .38 e um rifle no interior de uma casa. O preso, um homem de 50 anos, foi liberado após pagamento de fiança.